A decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para o bloco europeu está gerando preocupação entre os pecuaristas brasileiros. E um dos responsáveis pela restrição, segundo o pecuarista Rodolpho Botelho, pode ser o próprio Governo Brasileiro.
Botelho, que também é presidente do Sindicato Rural de Guarapuava/PR, lembra que o MInistério da Agricultura do Brasil e de vários outros países já haviam sido comunicados pela Comunidade Européia sobre às novas normas sanitárias ainda em 2025.
A decisão da Comunidade Européia foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE na sexta-feira (05/06) e passará a valer a partir de 3 de setembro de 2026. Após a decisão, diversas entidades representativas do agronegócio brasileiro, entre elas a FAESP, cobraram reação do Brasil após restrições da União Europeia
“Acredito que o Governo Federal contribuiu para o problema, em função da demora do Ministério da Agricultura e da fiscalização em responder as questionamentos da Comunidade Europeia em tempo hábil”, afirma.
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“Eu estive recentemente no Uruguai e em contato com argentinos na semana passada e eles confirmaram que também receberam os comunicados. A diferença é que eles já forneceram as informações na época em que foram questionados”, enfatiza.
O pecuarista salienta que, mesmo que o embargo não seja automático e começará a valer apenas no segundo semestre, o mercado vive essa situação porque o MAPA não respondeu aos questionamentos quando deveria. “Somente agora, com a atualização a lista de países proibidos de exportar para a a Comunidade Européia, é que o MAPA se movimentou para responder aos questionamentos”, salienta.
Ele também lembra que a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) teve tratativas com o Ministério da Agricultura quando a lista foi atualizada e demonstrou preocupação com a situação. “A culpa é do Governo Brasileiro, que foi incompetente e não deu importância à questão, o que acabou trazendo todo esse transtorno para o mercado”, afirma.
Mato Grosso do Sul será o maior afetado pelas restrições
Apesar de o Estado do Paraná ser o maior produtor de proteína animal brasileiro, o Mato Grosso do Sul será o maior afetado caso a medida entre em vigor. Isso porque o MS abriga o maior parte dos frigoríficos que exportam para a Europa. O Brasil abate em média 42,94 milhões de cabeças de bovinos em 2025, sendo que 9 milhães são compostas por gado confinado.
Esses números reforçam a tese do presidente do frigorífico Padrão Beef e também pecuarista, Lindonez Rizzotto, que afirmou em entrevista ao RuralNews que a restrição é econômica e não sanitária, devido à alta competitividade da carne bovina brasileira na Europa. Além disso, os produtos anti microbianos não são utilizados no gado criado a pasto, que é o caso do Mato Grosso do Sul e de mais de 90% das propriedades rurais do Brasil.
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