O bolso do consumidor paranaense começou a registrar um alívio expressivo no preço do café tradicional. De acordo com o Boletim Conjuntural divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), os preços pagos aos cafeicultores e os valores praticados nas gôndolas dos supermercados seguem pressionados pelo avanço da colheita no país. O principal vetor dessa desvalorização é a consolidação de uma safra nacional altamente volumosa, liderada pelo estado de Minas Gerais. Ao todo, a estimativa do país aponta para a colheita de 66,7 milhões de sacas de 60 kg neste ano, das quais o Paraná deve contribuir com aproximadamente 710 mil sacas de café beneficiado.
Como os meses de junho e julho marcam o pico dos trabalhos de campo e da entrada do grão novo nas indústrias, a pressão sobre o mercado de balcão intensificou-se. Na semana anterior à publicação do boletim, a média recebida pelo produtor paranaense fixou-se em R$ 1.341,59 por saca. Este patamar representa uma forte retração de 35% na comparação direta com a média que vinha sendo praticada em junho de 2025. Segundo a análise técnica do Deral, este recuo reflete a comercialização continuada dos grãos colhidos desde o mês de abril a preços substancialmente mais baixos no mercado físico.
Reflexos no varejo e tendência para as prateleiras
A forte desvalorização da matéria-prima na fazenda já foi integralmente transmitida para o consumidor final nos pontos de venda. O levantamento de preços do Deral/Seab aponta que o pacote de 500 gramas de café torrado e moído no varejo do Paraná custou, em média, R$ 25,55. O valor indica uma redução mensal de 6% frente aos R$ 27,13 computados no mês anterior, e uma queda expressiva de 18% em relação a junho de 2025, período em que o mesmo pacote era comercializado a R$ 31,14. Na prática, o produto ficou mais de R$ 5,00 mais barato para as famílias paranaenses ao longo de um ano.
A expectativa do órgão estadual é de que o cenário de preços baixos e promocionais nas gôndolas se estenda no curto prazo. Como o café colhido nas propriedades rurais passa pelas etapas de secagem, beneficiamento, torrefação e logística de distribuição, ele leva cerca de um mês até abastecer as prateleiras dos supermercados. Por esse motivo, o escoamento contínuo do auge da safra histórica atual garante que a tendência de retração nos preços de varejo continue beneficiando o consumidor final nas próximas semanas.
