Os conflitos no Oriente Médio, que se estendem desde o primeiro trimestre deste ano, trouxeram fortes preocupações para o setor avícola exportador do Brasil. O sinal de alerta foi aceso porque a região historicamente concentra uma parcela expressiva do mercado consumidor, tendo sido o destino de quase 25% de todos os embarques da proteína nacional em 2025.
Apesar das incertezas geopolíticas, as exportações brasileiras de carne de frango mantiveram um desempenho recorde ao longo do primeiro semestre de 2026.
Diversificação de mercados compensa recuo em árabes
De acordo com analistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o resultado histórico evidencia a alta capilaridade e a eficiência da base de parceiros comerciais do setor avícola brasileiro. Essa flexibilidade logística permitiu que o país compensasse as perdas nas rotas mais afetadas.
No balanço consolidado dos primeiros seis meses do ano, o fluxo comercial apresentou as seguintes variações:
Embarques de carne de frango crescem 40% e batem recorde
Impasse com UE pode elevar custos do frango no Brasil
Emirados Árabes Unidos: Registraram um recuo de 8,3% nos embarques na comparação com o mesmo período de 2025.
Japão: Apresentou uma forte expansão na demanda, com alta de 21,2% nas compras do produto brasileiro.
África do Sul: Consolidou-se como um dos principais destaques do semestre, com um avanço expressivo de 38,3% no volume importado.
Os pesquisadores do Cepea indicam que os desdobramentos dos conflitos armados no Oriente Médio comprometeram diretamente o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, elevando os custos e dificultando fisicamente o recebimento da proteína na região.
Maior volume da série histórica da Secex
Ainda assim, o balanço global para todos os destinos internacionais superou as expectativas do mercado. Dados consolidados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que as exportações brasileiras de carne de frango (somando os produtos in natura e processados) totalizaram 2,9 milhões de toneladas entre janeiro e junho.
O montante representa o maior volume já registrado para o período em toda a série histórica da Secex, iniciada em 1997. Na comparação direta com o primeiro semestre do ano anterior, quando o Brasil comercializou 2,6 milhões de toneladas, o crescimento real nos embarques foi de 12,9%.
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