A União Europeia informou ao Brasil que decidiu excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes, tripas, peixe e mel para os países do bloco europeu. A decisão foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE na sexta-feira (05/06).
O motivo é o fato de Brasil não ter conseguido comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Apesar de ter sido notificado no final de 2025, somente em abril deste ano é que o Governo Federal proibiu uso dos antimicrobianos, que segundo a UEsão usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia comprou do Brasil em 2025 US$ 1,8 bilhão em carnes, sendo que US$ 1 bilhão foram de carne bovina e US$ 700 milhões de carne de frango. Apesar desse volume ser menos de 4% do volume total de exportações brasileiras, o mercado europeu tem uma grande importância estratégica.
O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos. Segundo o MInistério da Agricultura, isso não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos.
Agora, para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.