A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) manifestou forte oposição às novas restrições impostas pela União Europeia às importações de carnes, mel e outros produtos de origem animal provenientes do Brasil. Em nota divulgada nesta semana, a entidade classificou a medida como prejudicial ao comércio internacional e cobrou uma postura mais firme do governo federal na defesa dos interesses do agronegócio brasileiro.
Segundo a FAESP, a decisão europeia ocorre após décadas de negociações entre Mercosul e União Europeia e gera preocupação no setor produtivo por introduzir novas exigências consideradas pela entidade como barreiras ao comércio.
A federação argumenta que as restrições relacionadas ao uso de determinados produtos na produção animal criam tratamento desigual em relação a outros países exportadores que também abastecem o mercado europeu. Para a entidade, a medida tem potencial de reduzir a competitividade dos produtos brasileiros em um dos principais destinos das exportações agropecuárias.
Preocupação com exportações e segurança jurídica
Na avaliação da FAESP, a adoção de novas exigências amplia a insegurança para produtores rurais e empresas exportadoras, especialmente em um momento em que o setor busca ampliar mercados e fortalecer sua presença internacional.
A entidade destaca que o Brasil possui reconhecimento internacional em sanidade animal e que a pecuária nacional segue protocolos rigorosos de controle e rastreabilidade. Por isso, defende que eventuais medidas comerciais sejam fundamentadas em critérios técnicos e científicos amplamente reconhecidos.
A federação também alertou para os impactos que mudanças nas regras de acesso ao mercado podem causar sobre os investimentos e o planejamento das cadeias produtivas ligadas à proteína animal e à apicultura.
Defesa de atuação conjunta do Mercosul
Outro ponto levantado pela entidade é a necessidade de coordenação entre os países do Mercosul diante das novas exigências europeias. A FAESP defende um posicionamento conjunto entre Brasil, Argentina e Uruguai para fortalecer o diálogo comercial com a União Europeia e ampliar o peso das negociações regionais.
Para a federação, a integração entre os países do bloco pode contribuir para uma resposta mais robusta em temas relacionados ao comércio internacional e à defesa dos interesses do setor agropecuário.
A entidade concluiu afirmando que o produtor rural brasileiro segue investindo em tecnologia, sustentabilidade e sanidade para atender aos mercados globais, e que a manutenção de regras claras e previsíveis é fundamental para garantir a competitividade do agronegócio nacional.