O mercado de postura comercial registrou uma inversão temporária em sua tendência de preços ao longo do último mês. De acordo com o balanço estatístico divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os preços médios dos ovos fecharam junho com variação positiva na maior parte das praças produtoras acompanhadas pela instituição. O resultado interrompeu um movimento sucessivo de desvalorização que já se estendia pelos dois meses anteriores. Na prática, o fator determinante para sustentar a média mensal no campo foi o patamar elevado de preços praticado durante a primeira metade do período, que acabou compensando as perdas registradas na segunda quinzena.
Os pesquisadores do Cepea detalham que, embora o balanço fechado de junho aponte para uma recuperação em relação a maio, a curva de preços demonstrou um fôlego decrescente na reta final do mês. Esse comportamento gerou um efeito de transição negativa para o início do segundo semestre. Como consequência dessa desaceleração tardia, o setor avícola abre o mês de julho com as cotações da proteína fragilizadas nas principais granjas e distribuidoras do país.
Cautela com o consumo e o impacto das férias escolares
Diante desse cenário de enfraquecimento nos preços de balcão, a classe produtora adota uma postura de cautela e monitoramento rigoroso sobre o comportamento do atacado e do varejo. A equipe técnica do Cepea ressalta que o mês de julho é sazonalmente caracterizado por desafios na liquidez do mercado interno de proteínas. O principal entrave para o setor é o período de férias escolares, um fator que reduz de forma expressiva o volume de compras institucionais para merenda e esvazia os grandes centros urbanos, desacelerando o ritmo de reposição dos estoques nos supermercados.
Para tentar equilibrar as margens de lucro e evitar o acúmulo de excedentes nas plataformas de embalagem, os avicultores tendem a ajustar o fluxo de escoamento e monitorar de perto a paridade entre os custos de produção — fortemente influenciados pelas cotações do milho e do farelo de soja — e o preço final pago pelo consumidor. A expectativa das granjas é de que o mercado recupere a estabilidade operacional a partir da virada para o próximo mês, quando o retorno das rotinas escolares normaliza os canais tradicionais de abastecimento alimentar.
