O mercado físico do açúcar cristal de padrão superior iniciou o mês de julho operando com sinais de recuperação em suas cotações no atacado do estado de São Paulo. De acordo com o monitoramento diário de preços realizado pelos pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), o viés de alta interrompeu a sequência de baixas que vinha caracterizando o encerramento do trimestre anterior na principal praça de comercialização do país.
Dois fatores principais atuaram de forma coordenada para sustentar esse movimento de reação nas usinas paulistas:
Gargalo Climático Nacional: A ocorrência de chuvas frequentes em regiões estratégicas do cinturão sucroenergético forçou a paralisação temporária das atividades de colheita e moagem de cana-de-açúcar, restringindo a oferta imediata de lotes novos de cristal branco tipo Icumsa 150 no mercado spot.
Suporte Internacional: Os contratos futuros da commodity nas bolsas de Nova York e Londres ensaiaram movimentos de valorização, corrigindo distorções técnicas recentes e influenciando diretamente as tabelas de preços pedidas pelos departamentos comerciais das unidades produtoras no Brasil.
Apesar da reação observada nos primeiros dias de julho, a média geral de preços consolidada na última semana fechou em queda quando comparada ao balanço do período imediatamente anterior. Os analistas do Cepea alertam que esse comportamento misto evidencia que o mercado à vista continua operando sob forte clima de incerteza técnica, com distribuidoras e indústrias de alimentos mantendo compras cautelosas enquanto avaliam a real extensão das perdas operacionais causadas pelo clima úmido nas usinas.
