O agronegócio paulista registrou superávit de US$ 1,9 bilhão em maio de 2026, segundo levantamento da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp). O resultado ajudou a compensar parte do déficit de US$ 3 bilhões observado nos demais setores da economia, fazendo com que o estado encerrasse o mês com saldo negativo de US$ 1,2 bilhão, valor 3,4% menor que o registrado em maio do ano passado.
As exportações do agronegócio somaram US$ 2,3 bilhões no período, representando 14,5% de todas as vendas externas do setor no Brasil. Apesar da redução de 2,7% na comparação anual, alguns segmentos apresentaram forte crescimento e contribuíram para o desempenho positivo da balança comercial.
Soja, algodão e carnes impulsionam exportações
Entre os destaques, o complexo soja registrou crescimento expressivo. As exportações de soja em grão avançaram 24,6%, enquanto os embarques de farelo de soja aumentaram 74,4% em relação a maio de 2025.
O algodão não cardado nem penteado também apresentou forte expansão, com alta de 105,2% no valor exportado. Já as carnes mantiveram bom desempenho, com crescimento de 49,1% nas exportações de carne bovina in natura e de 27,2% na carne de frango.
Açúcar, café e suco de laranja recuam
Por outro lado, importantes produtos da pauta exportadora paulista registraram queda. As exportações de açúcar bruto recuaram 22,1%, enquanto o açúcar refinado apresentou retração de 31,3%, reflexo da elevada oferta global e da pressão sobre as cotações internacionais.
O suco de laranja também registrou desempenho negativo, com redução de 36,9% nas exportações, influenciado pela queda de 44,5% nos preços internacionais em razão da menor demanda global. As vendas externas de café verde diminuíram 33,2% no período.
Importações registram queda
As importações de produtos do agronegócio por São Paulo totalizaram US$ 465,8 milhões em maio, queda de 5,3% em relação ao mesmo mês de 2025.
O trigo foi o produto que apresentou a maior retração, com redução de 68,9% no valor importado. Em contrapartida, houve aumento nas compras de papel, salmão, vestuário e produtos derivados do algodão.
Agronegócio sustenta superávit nacional
No cenário brasileiro, o agronegócio também teve papel decisivo para o resultado da balança comercial. O setor registrou superávit de US$ 14,4 bilhões em maio, compensando o déficit de US$ 6,58 bilhões dos demais segmentos da economia e garantindo saldo positivo de US$ 7,82 bilhões para o país.
As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram US$ 16 bilhões, impulsionadas principalmente pela soja em grão, que movimentou US$ 6,3 bilhões. O milho apresentou crescimento de 489,4% no valor exportado, enquanto as vendas externas de carne bovina in natura avançaram 50,2%.
Já produtos como café verde, celulose e açúcares bruto e refinado registraram retração nas exportações durante o período. Nas importações, o agronegócio brasileiro movimentou US$ 1,6 bilhão, tendo o trigo como principal item adquirido no mercado externo, apesar da queda de 13,2% no valor importado.