O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (10) o Projeto de Lei 5.122/2023, que cria mecanismos para auxiliar produtores rurais endividados em todo o país. A proposta prevê alternativas para repactuação de débitos e estabelece uma linha especial de crédito destinada à renegociação de financiamentos rurais, utilizando recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de fundos constitucionais.
A matéria foi discutida ao longo do dia com representantes do Ministério da Fazenda, mas não houve consenso entre o governo e os parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Apesar das divergências, o texto foi aprovado simbolicamente pelos senadores e retorna agora para análise da Câmara dos Deputados.
Durante a votação, a vice-presidente da FPA no Senado, senadora Tereza Cristina, afirmou que houve esforço para construir entendimento com a equipe econômica, mas destacou a necessidade de uma solução para a crise enfrentada pelos produtores rurais.
Segundo a parlamentar, fatores como a queda nos preços das commodities agrícolas, juros elevados, valorização cambial durante o plantio e eventos climáticos extremos têm comprometido a capacidade de pagamento dos agricultores.
O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, classificou a aprovação como uma vitória importante para o setor agropecuário. Segundo ele, a proposta cria condições para renegociação das dívidas com prazo de até dez anos para pagamento e três anos de carência, além de envolver recursos de fundos que podem auxiliar na solução do endividamento rural.
Medida provisória de crédito traz alívio para agro em MT
Senado aprova urgência do novo marco do Seguro Rural
Seguro Rural perde metade da verba e preço deve disparar
Alterações ampliam alcance da proposta
O relator da matéria, senador Renan Calheiros, incorporou emendas ao texto para ampliar o alcance das medidas. Entre as mudanças está a inclusão de operações renegociadas ou prorrogadas até 30 de abril de 2026, desde que estivessem adimplentes na data da contratação.
O relatório também manteve a possibilidade de utilização de recursos do Fundo Social e de fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda para a criação da linha especial de crédito, sem estabelecer limite financeiro para a medida. A utilização dos recursos, entretanto, permanece autorizativa.
Pelas regras aprovadas, os juros da linha especial poderão variar entre 3,5% e 7,5%, conforme o porte do produtor. O limite será de até R$ 10 milhões por beneficiário e de até R$ 50 milhões para cooperativas e associações.
O prazo de pagamento poderá chegar a dez anos, com três anos de carência, sendo possível alcançar até 15 anos em situações especiais.
Para o senador Jaime Bagattoli, vice-presidente da FPA, a proposta é necessária diante das dificuldades enfrentadas por produtores de diferentes regiões do país. Segundo ele, sem uma solução para o endividamento ainda neste ano, os desafios podem se agravar na próxima safra devido aos altos custos de produção.
Fundo Social e proteção para saúde e educação
Após negociações com a base governista, o texto também reforçou um dispositivo que impede que eventuais retiradas de recursos do Fundo Social afetem verbas destinadas à saúde e à educação.
O coordenador da Comissão de Orçamento da FPA, senador Zequinha Marinho, argumentou que os benefícios econômicos da proposta superam os impactos fiscais. Segundo ele, a medida representa um investimento em um dos setores mais relevantes da economia brasileira, responsável por mais da metade das exportações nacionais e por parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB).
Já o deputado Afonso Hamm, coordenador da Comissão Trabalhista da FPA, avaliou que a aprovação no Senado representa um avanço importante na busca por soluções para a crise financeira enfrentada por produtores rurais em diversas regiões do país.
Parlamentares favoráveis ao projeto também destacaram que secas, enchentes, juros elevados e oscilações no mercado internacional têm pressionado a renda do produtor, tornando necessária a criação de instrumentos que permitam a reorganização financeira do setor.
Com a aprovação no Senado, o projeto segue agora para nova análise da Câmara dos Deputados antes de ser encaminhado para sanção presidencial.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
