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Soja

Brasil supera 2 milhões de hectares com certificação de soja RTRS

Com forte engajamento empresarial e expansão no Matopiba, área auditada avança e consolida a governança ambiental do agronegócio brasileiro
Brasil supera 2 milhões de hectares com certificação de soja RTRS
O crescimento de 28% na área auditada eleva a competitividade da soja nacional no mercado europeu.
Foto do autor Jair Reinaldo
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O Brasil alcançou um novo marco estratégico na consolidação de sua agenda sustentável voltada à produção de grãos. Dados oficiais compilados pela Mesa Redonda da Soja Responsável (RTRS) revelam que o país ultrapassou a marca histórica de 2 milhões de hectares certificados sob o seu padrão internacional de produção, registrando um crescimento expressivo de 28% na comparação interanual. O indicador chancela o protagonismo das propriedades brasileiras no fornecimento de matéria-prima submetida a rigorosos critérios de conformidade ambiental, social e de governança (ESG).

No topo do ranking nacional, o estado de Mato Grosso desponta de forma isolada como o principal indutor da certificação RTRS. As lavouras mato-grossenses somam mais de 1,2 milhão de hectares auditados, gerando um volume superior a 4,9 milhões de toneladas de soja com selo de responsabilidade. Na sequência, os estados do Maranhão, Piauí, Goiás e Bahia consolidam a força do Matopiba como uma nova fronteira altamente tecnificada e engajada nas práticas de cultivo sustentável.



O mapa da sustentabilidade: os líderes do setor

O levantamento da RTRS detalha o volume produtivo e a extensão de área sob conformidade socioambiental nos cinco principais estados do país em 2025:

Mato Grosso (MT): Liderança absoluta com 4.906.035 toneladas produzidas em 1.228.631 hectares auditados.

Maranhão (MA): Segunda posição nacional, registando 938.021 toneladas numa área de 219.108 hectares.

Piauí (PI): Consolida a força do Matopiba com 820.536 toneladas colhidas em 181.568 hectares.

Goiás (GO): Destaque no Centro-Oeste com a produção de 525.031 toneladas em 114.685 hectares.

Bahia (BA): Fecha o grupo dos cinco maiores com 388.323 toneladas geradas em 91.654 hectares certificados.

Vetores de crescimento e vantagens logísticas

Para o consultor de Desenvolvimento de Mercado e Relacionamento Institucional no Brasil da RTRS, Cid Sanches, o desempenho expressivo em solo mato-grossense é resultado direto de uma combinação de escala de produção, profissionalização corporativa e atuação de agentes multiplicadores. Entidades locais e grandes companhias da iniciativa privada, como a Amaggi e o CAT de Sorriso, desempenham um papel central na disseminação e implementação das normas exigidas pelos auditores.

Sanches aponta ainda que Mato Grosso usufrui de uma vantagem geográfica e logística decisiva para rentabilizar o produto certificado. Uma fatia robusta do grão direcionado ao mercado europeu é escoada de maneira eficiente pelos corredores fluviais e portos do Arco Norte, incluindo os terminais de Santarém (PA), Manaus (AM) e Belém (PA). O perfil empresarial dos grandes produtores locais confere maior agilidade na absorção de inovações processuais e no cumprimento de protocolos regulatórios internacionais.

Potencial de expansão nas regiões tradicionais

A RTRS avalia que o país possui uma ampla avenida de crescimento para expandir a governança socioambiental. Os estados da região Sul, como o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, são monitorados como polos de grande potencial de engajamento para os próximos ciclos. O espelho dessa expansão é o Paraná, mercado onde o sistema de cooperativismo agroindustrial consolidado serve como principal motor para elevar os indicadores de conformidade e certificar pequenas e médias propriedades em larga escala.

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