O mercado brasileiro de bioinsumos atravessa um período de consolidação histórica, transformando os insumos biológicos de soluções alternativas em ferramentas centrais da engrenagem produtiva nacional. Dados consolidados da CropData/CropLife Brasil revelam que o setor movimentou impressionantes R$ 6,2 bilhões no último ciclo. Esse avanço técnico e os fatores mercadológicos que moldam a evolução da atividade serão o tema central do III Fórum de Bioinsumos no Agro, agendado para o dia 18 de agosto, no Auditório da Ocesp, em São Paulo.
O amadurecimento do segmento é evidenciado pelo recorde de 194 milhões de hectares de área tratada com biológicos no país. O indicador demonstra que, mesmo enfrentando um cenário de margens apertadas e desafios financeiros na porteira, o agricultor brasileiro optou por intensificar o uso dessas tecnologias para a proteção fitossanitária e nutrição de solo. O avanço do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e a busca por certificações sustentáveis figuram como os principais combustíveis para essa expansão.
De debate de eficácia à gestão estratégica
De acordo com o engenheiro agrônomo Luiz Mário Machado Salvi, presidente da Araiby e responsável pela organização do Fórum, a discussão setorial mudou de patamar nos últimos anos. Se antes o foco estava em provar a eficácia dos biológicos no campo, hoje o desafio é gerenciar os ativos em sua máxima capacidade estratégica.
"Há alguns anos, a discussão era se os biológicos conseguiriam demonstrar resultados em larga escala. Hoje, o produtor já entende o valor dessas ferramentas e busca formas de integrá-las ao manejo para aumentar a eficiência produtiva e enfrentar desafios cada vez mais complexos no campo", pontua Salvi. Ele acrescenta que gargalos no mercado global de fertilizantes tradicionais e as pressões do cenário geopolítico internacional podem acelerar o ritmo de adoção, superando as projeções iniciais de crescimento para os próximos anos.
O evento, que conta com a promoção da Sociedade Rural Brasileira (SRB), do Sistema Ocesp e da Embrapa, debaterá o comportamento do produtor frente às novas soluções e os próximos passos regulatórios do setor. O encontro terá formato híbrido, com participação presencial e transmissão online ao vivo, reunindo o apoio de entidades de peso como a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Abisolo, Insper e FGVAgro.