O mercado de proteínas animais registrou uma mudança importante na dinâmica de preços na parcial deste mês. Historicamente fortalecida no primeiro semestre, a carne suína perdeu competitividade frente às suas duas principais concorrentes (bovina e de frango) na praça da Grande São Paulo. O movimento, monitorado até a segunda metade de junho, interrompe uma sequência expressiva de oito meses seguidos de ganhos reais em comparação com a carcaça bovina, além de dois meses de vantagem sobre o frango resfriado.
De acordo com as análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a perda de espaço da proteína suína não ocorre por falta de consumo. Pelo contrário: a demanda interna por cortes suínos segue bastante elevada em junho, impulsionada pelo clima frio e pelas tradicionais festividades juninas por todo o país. No entanto, o fator que vem travando a reação dos preços da carcaça especial suína é o alto volume de estoques acumulados nas indústrias e nos frigoríficos.
Queda mais agressiva nas proteínas concorrentes
Com as câmaras frias cheias, a maior procura do varejo foi absorvida pela indústria sem a necessidade de reajustes positivos nas tabelas de venda. Enquanto o preço da carcaça suína recua de forma moderada, as desvalorizações observadas na carcaça casada bovina e no frango resfriado ocorrem com intensidade muito maior no mesmo período.
Esse recuo mais agressivo nas cotações das carnes concorrentes tornou o boi e o frango opções proporcionalmente mais baratas para o consumidor final na gôndola do supermercado. Para os suinocultores, o atual cenário acende o sinal de alerta sobre as margens de lucro da atividade no encerramento deste trimestre, exigindo cautela no ritmo de alojamento de leitões e no planejamento da nutrição animal.