O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,41% no mês de junho. O indicador apresenta uma desaceleração de 0,21 ponto percentual (p.p.) na comparação com a taxa apurada em maio (0,62%). No acumulado do primeiro semestre, a inflação prévia soma 3,45% e, no intervalo dos últimos 12 meses, atinge 4,80% — patamar ligeiramente acima dos 4,64% observados no período imediatamente anterior.
De acordo com o relatório do IBGE, a movimentação do índice foi fortemente ditada pelo comportamento de dois grupos principais: Alimentação e Bebidas (0,74%) e Habitação (0,72%). Juntas, essas duas categorias foram responsáveis por aproximadamente 66% de todo o resultado inflacionário do mês de junho no país.
Alimentos básicos disparam no primeiro semestre
Apesar de o grupo Alimentação e Bebidas ter desacelerado em relação ao salto de maio (1,38%), ele seguiu como o principal vetor de pressão sobre o bolso do consumidor. A inflação da alimentação no domicílio fechou em 0,87%, impulsionada por quebras de oferta e fatores climáticos que encareceram itens essenciais. Os grandes destaques de alta em junho foram a batata-inglesa (29,42%), o tomate (17,27%), o feijão-carioca (14,29%) e a cebola (9,54%).
O balanço do primeiro semestre de 2026 revela um cenário ainda mais severo para o varejo de hortifrúti. Três subitens praticamente dobraram de preço nos primeiros seis meses do ano: o tomate acumulou alta de 103,84%, seguido de perto pela cenoura (103,10%) e pela batata-inglesa (100,20%). No campo deflacionário, as principais retrações do mês ficaram com o café moído (-3,69%) e com as frutas (-0,96%).
Combustíveis e energia elétrica operam em direções opostas
No grupo Habitação, o grande vilão foi a energia elétrica residencial, que subiu 2,04% e gerou o maior impacto individual isolado no IPCA-15 (0,08 p.p.). O reajuste reflete a entrada em vigor da bandeira tarifária amarela e revisões nas distribuidoras locais, como o aumento de 2,52% aplicado em Curitiba a partir de meados de maio.
Por outro lado, o setor de Transportes registrou deflação leve de -0,03%, atuando como um importante freio para o índice geral. O recuo foi garantido pela queda média de 1,22% no preço dos combustíveis na bomba. O etanol hidratado recuou expressivos 5,30%, a gasolina caiu 0,73% e o óleo diesel — combustível essencial para o escoamento de safras e fretes do agronegócio — registrou queda de 1,47% em junho. O gás veicular (GNV) foi a única exceção do segmento, subindo 3,78%.