O crédito rural destinado à agricultura empresarial movimentou R$ 433 bilhões entre julho de 2025 e maio de 2026, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Apesar do volume expressivo, o montante representa uma redução de 5% em comparação com os R$ 458,1 bilhões contratados no mesmo período da safra anterior. O destaque do ciclo ficou para o avanço das Cédulas de Produto Rural (CPRs) e dos financiamentos voltados à industrialização da produção agropecuária.
De acordo com o Boletim de Desempenho do Crédito Rural, elaborado pelo Departamento de Financiamento da Secretaria de Política Agrícola, os financiamentos para industrialização cresceram 59,5%, passando de R$ 19,7 bilhões para R$ 31,5 bilhões. O resultado reflete a ampliação do processamento e da agregação de valor aos produtos agropecuários, com forte participação das cooperativas. A modalidade também foi a única a registrar aumento no número de contratos, com alta de 17,7%.
CPRs consolidam liderança
As CPRs mantiveram trajetória de crescimento e alcançaram R$ 185,2 bilhões em contratações, avanço de 8% em relação ao mesmo período da safra anterior. Com isso, o instrumento passou a representar 42,8% de todo o volume concedido no ciclo 2025/26, ante 37,4% registrados na temporada anterior.
Somando as operações de custeio e as CPRs, o financiamento da produção agrícola totalizou R$ 322,7 bilhões, recuo de apenas 2,1% frente à safra passada.
Outro segmento que apresentou desempenho positivo foi o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), que registrou R$ 56,4 bilhões em concessões, crescimento de 4,3%. Segundo o Mapa, o resultado está relacionado às medidas adotadas para ampliar a oferta de recursos destinados aos médios produtores rurais.
Juros freiam investimentos
Enquanto custeio e industrialização avançaram, os programas de investimento continuaram enfrentando dificuldades. No conjunto, as operações dessa categoria recuaram 28,1%.
Os maiores recuos foram observados no Programa de Financiamento à Agricultura Irrigada e ao Cultivo Protegido (Proirriga), com queda de 56%, no Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop), que caiu 54%, e no Moderfrota, também com retração de 54%.
Segundo o boletim, a principal limitação não está na disponibilidade de recursos, mas na demanda dos produtores, afetada pelas taxas de juros elevadas, aumento da inadimplência, custos de produção mais altos e riscos climáticos enfrentados nos últimos anos.
Mudanças nas fontes de recursos
Entre as fontes de financiamento, a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) Controlada apresentou crescimento expressivo, saltando de R$ 927 milhões para R$ 28,8 bilhões e se tornando a segunda principal fonte de recursos controlados do crédito rural.
Já a LCA Livre registrou retração de 38%. Parte dessa redução foi compensada pelo avanço da Poupança Rural Livre, que cresceu 49,5% e atingiu R$ 57,6 bilhões em contratações.
Os recursos equalizados, que contam com subsídio do Tesouro Nacional para reduzir os juros ao produtor, somaram R$ 48,9 bilhões na safra 2025/26. Segundo o Mapa, a redução nessa modalidade está associada ao aumento das taxas de juros, à maior seletividade dos bancos e às mudanças nas exigibilidades das instituições financeiras.
Na distribuição regional, excluindo as CPRs, a Região Sul liderou as contratações, com R$ 74,2 bilhões e mais de 131 mil operações realizadas. Já o Nordeste registrou a maior queda percentual no volume contratado, com retração de 26% em comparação com o mesmo período da safra anterior.