O Instituto de Pesca (IP-APTA), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, desenvolve uma pesquisa para avaliar possíveis impactos de bioherbicidas microbianos em células de animais aquáticos. O estudo busca ampliar o conhecimento sobre a segurança ambiental desses bioinsumos, considerados alternativas mais sustentáveis para o controle de plantas daninhas.
A pesquisa é conduzida pelo biólogo e mestrando Guilherme Felicioni, no Programa de Pós-Graduação em Aquicultura e Pesca (PPGIP). O trabalho investiga possíveis danos celulares provocados por bioherbicidas em linhagens de células de peixes e anfíbios, contribuindo para análises preliminares antes da aplicação desses produtos em campo.
Os bioherbicidas microbianos são produzidos a partir da fermentação por fungos e utilizam extratos enzimáticos capazes de degradar a parede celular de plantas daninhas. Apesar do potencial ecológico, ainda existem dúvidas sobre os efeitos desses compostos em organismos não-alvo, especialmente em vertebrados aquáticos.
Segundo Felicioni, a pesquisa analisa células de tecido conjuntivo, conhecidas como fibroblastos de peixe, além de células hepáticas de zebrafish. O objetivo é compreender como o organismo reage ao contato com o bioinsumo.
“O fígado, geralmente, é o que vai processar e detoxificar esse agrotóxico do corpo do animal, e o tecido conjuntivo é onde ele tende a se acumular”, explicou o pesquisador.
Avaliação dos impactos celulares
No laboratório, os testes envolvem análises de viabilidade celular, metabolismo, aderência e respostas ao estresse celular. O estudo também avalia estruturas responsáveis pela limpeza e proteção das células, permitindo identificar possíveis alterações causadas pelos compostos presentes no bioherbicida.
Os resultados poderão contribuir para o desenvolvimento de soluções agrícolas mais seguras, alinhando inovação tecnológica, sustentabilidade e conservação ambiental.
Para Felicioni, o projeto representa também uma etapa importante de sua formação acadêmica e científica.
“Fazer a pós-graduação no Instituto de Pesca está sendo de suma importância e enriquecedor para minha carreira como cientista. A gente consegue diversas parcerias, tanto nacionais quanto internacionais”, afirmou.
O pesquisador também destacou a estrutura oferecida pela instituição e a integração entre os profissionais envolvidos nos projetos científicos.
“A estrutura dos laboratórios de cultivo celular e de outros que a instituição me oferece está sendo ótima. Eu estou gostando bastante”, acrescentou.
Métodos alternativos à experimentação animal
A orientadora da pesquisa, Cláudia Maris, explicou que o projeto segue o princípio internacional dos 3 R’s — substituição, redução e refinamento — voltado ao uso de métodos alternativos à experimentação animal.
Segundo ela, a proposta é fortalecer o desenvolvimento de análises in vitro capazes de reduzir o uso de animais em pesquisas científicas e industriais.
“Esperamos assim nos tornar, em médio prazo, um dos laboratórios aptos a desenvolver e implementar métodos alternativos ao uso de animais aquáticos em experimentação no Brasil. Este primeiro passo irá auxiliar e maximizar as pesquisas feitas em campo”, concluiu Cláudia.
O Instituto de Pesca atua no desenvolvimento de soluções científicas e tecnológicas voltadas ao fortalecimento sustentável da pesca e da aquicultura no Brasil.
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