O setor agropecuário do Rio Grande do Sul registrou um cenário de pressão sobre a rentabilidade em maio de 2026. Embora os custos de produção tenham permanecido praticamente estáveis no período, os preços recebidos pelos produtores voltaram a cair, interrompendo a recuperação observada nos meses anteriores.
Segundo levantamento da Assessoria Econômica da Farsul, o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) teve alta de apenas 0,04% em maio. O resultado foi influenciado principalmente pela valorização do real frente ao dólar, que reduziu os custos de insumos importados, como fertilizantes e defensivos agrícolas, além da queda nos preços do diesel, contribuindo para aliviar despesas com transporte e operações mecanizadas.
Apesar da estabilidade mensal, os custos seguem em trajetória de alta no acumulado. Em 12 meses, o IICP registra avanço de 3,11%, enquanto no acumulado de 2026 a elevação chega a 5,94%, concentrada especialmente nos meses de março e abril.
Preços recebidos recuam
Na contramão dos custos, o Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) apresentou queda de 1,98% em maio. O desempenho foi puxado principalmente pela desvalorização de produtos importantes para a agropecuária gaúcha, como soja, arroz e suínos.
Com o resultado, o indicador acumula retração de 7,64% nos últimos 12 meses, demonstrando que a remuneração recebida pelos produtores continua abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano passado.
Diferença entre campo e consumidor
O relatório também chama atenção para a diferença entre os preços pagos ao produtor e os valores cobrados dos consumidores. Enquanto o IIPR apresenta queda acumulada em 12 meses, o índice de inflação dos alimentos medido pelo IPCA registra alta de 3,87% no mesmo período.
De acordo com a análise, esse descompasso reforça que a inflação dos alimentos não tem origem diretamente na produção rural, mas está relacionada aos custos e dinâmicas das etapas seguintes da cadeia produtiva, além de fatores macroeconômicos.
Os indicadores integram a série histórica acompanhada pela Farsul e servem como referência para avaliar a evolução dos custos, receitas e da rentabilidade da agropecuária gaúcha.