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Queda na receita pressiona rentabilidade do agronegócio gaúcho

Indicadores de maio mostram estabilidade nos custos de produção, mas retração nos preços pagos aos produtores rurais no Rio Grande do Sul

Queda na receita pressiona rentabilidade do agronegócio gaúcho
Queda nos preços de importantes produtos agropecuários reduziu a receita dos produtores gaúchos em maio.
Foto do autor Fernando Teixeira
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O setor agropecuário do Rio Grande do Sul registrou um cenário de pressão sobre a rentabilidade em maio de 2026. Embora os custos de produção tenham permanecido praticamente estáveis no período, os preços recebidos pelos produtores voltaram a cair, interrompendo a recuperação observada nos meses anteriores.

Segundo levantamento da Assessoria Econômica da Farsul, o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) teve alta de apenas 0,04% em maio. O resultado foi influenciado principalmente pela valorização do real frente ao dólar, que reduziu os custos de insumos importados, como fertilizantes e defensivos agrícolas, além da queda nos preços do diesel, contribuindo para aliviar despesas com transporte e operações mecanizadas.

Apesar da estabilidade mensal, os custos seguem em trajetória de alta no acumulado. Em 12 meses, o IICP registra avanço de 3,11%, enquanto no acumulado de 2026 a elevação chega a 5,94%, concentrada especialmente nos meses de março e abril.

Preços recebidos recuam

Na contramão dos custos, o Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) apresentou queda de 1,98% em maio. O desempenho foi puxado principalmente pela desvalorização de produtos importantes para a agropecuária gaúcha, como soja, arroz e suínos.

Com o resultado, o indicador acumula retração de 7,64% nos últimos 12 meses, demonstrando que a remuneração recebida pelos produtores continua abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano passado.

Diferença entre campo e consumidor

O relatório também chama atenção para a diferença entre os preços pagos ao produtor e os valores cobrados dos consumidores. Enquanto o IIPR apresenta queda acumulada em 12 meses, o índice de inflação dos alimentos medido pelo IPCA registra alta de 3,87% no mesmo período.

De acordo com a análise, esse descompasso reforça que a inflação dos alimentos não tem origem diretamente na produção rural, mas está relacionada aos custos e dinâmicas das etapas seguintes da cadeia produtiva, além de fatores macroeconômicos.

Os indicadores integram a série histórica acompanhada pela Farsul e servem como referência para avaliar a evolução dos custos, receitas e da rentabilidade da agropecuária gaúcha.

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