O governo da China reconheceu oficialmente todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação. O anúncio foi realizado nesta terça-feira (2) e marca o fim de mais de 20 anos de negociações entre os dois países, representando um avanço importante para a pecuária nacional e para o comércio internacional de proteína animal.
A medida amplia as oportunidades para exportação de produtos bovinos e suínos brasileiros ao mercado chinês, incluindo itens de maior valor agregado, como carnes com osso e miúdos. Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro para a China superaram US$ 50 bilhões, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Para o Rio Grande do Sul, o reconhecimento é visto como um marco estratégico. O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, destacou que a decisão é resultado de um trabalho técnico de longo prazo e deve gerar impactos positivos para toda a cadeia de proteína animal do estado.
Segundo ele, o Rio Grande do Sul possui um rebanho reconhecido pela qualidade e pelos elevados padrões sanitários, o que poderá favorecer a ampliação de mercados e agregar valor à produção de carne bovina e suína gaúcha.
Reconhecimento reforça posição do Rio Grande do Sul
Embora a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) tenha concedido ao Rio Grande do Sul o certificado de área livre de febre aftosa sem vacinação em 2021, a China ainda não havia reconhecido oficialmente esse status.
Durante missão internacional realizada em novembro de 2023, representantes do governo gaúcho apresentaram às autoridades chinesas os diferenciais sanitários do estado e defenderam o reconhecimento da certificação.
O vice-governador Gabriel Souza, que liderou a comitiva na ocasião, ressaltou que o resultado demonstra a importância da articulação internacional e do trabalho técnico realizado ao longo dos últimos anos.
Cooperação sanitária ajudou a destravar negociações
O avanço das negociações também foi impulsionado pelo fortalecimento da cooperação entre os governos brasileiro e chinês. Durante missão presidencial realizada à China em maio de 2025, os dois países assinaram um memorando de entendimento na área de medidas sanitárias e fitossanitárias.
O acordo ampliou o diálogo técnico entre as autoridades sanitárias e contribuiu para acelerar tratativas consideradas estratégicas para o agronegócio brasileiro.
Com o novo reconhecimento, o Brasil fortalece sua posição como um dos principais fornecedores globais de proteína animal e amplia as perspectivas de crescimento das exportações para o maior mercado consumidor do mundo.
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