A canola desponta como a principal protagonista da safra de inverno 2026 no Rio Grande do Sul. Dados apresentados pela Emater/RS-Ascar indicam que a cultura terá expansão de 102,64% na área cultivada, alcançando 353.397 hectares. A produção estimada é de 571.975 toneladas, volume 100,35% superior ao registrado na safra passada.
As estimativas iniciais da safra foram divulgadas pela Emater/RS-Ascar durante evento realizado em Porto Alegre, com a participação da diretoria da instituição e representantes das secretarias estaduais de Desenvolvimento Rural e de Agricultura.
Segundo o levantamento, a produtividade média esperada para a canola é de 1.619 quilos por hectare, índice ligeiramente inferior ao obtido em 2025, quando a média alcançou 1.653 quilos por hectare. Mesmo com essa pequena redução, o aumento expressivo da área plantada garante o avanço da produção no Estado.
Área total de inverno recua
Apesar do forte crescimento da canola, a safra de inverno gaúcha como um todo deverá registrar redução de área. A projeção aponta cultivo de 1,57 milhão de hectares considerando todos os grãos de inverno, uma queda de 10,76% em comparação ao ciclo anterior.
A produção total está estimada em 3,73 milhões de toneladas, volume 22,15% menor que o registrado na safra passada.
O levantamento foi realizado entre 4 de maio e 16 de junho e abrangeu praticamente a totalidade dos municípios produtores das principais culturas de inverno do Estado, incluindo canola, trigo, aveia branca e cevada.
Custos e clima influenciam decisões
De acordo com a Emater/RS-Ascar, a redução da área destinada às demais culturas de inverno está relacionada a uma combinação de fatores econômicos e climáticos. Entre eles estão os elevados custos de produção, a menor atratividade dos cereais e o aumento da percepção de risco pelos produtores.
Outro fator que influencia o planejamento da safra é a previsão de atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera. Diante desse cenário, parte dos agricultores tem optado por antecipar a semeadura para posicionar as fases de florescimento e enchimento de grãos antes do período de maior intensidade das chuvas, estratégia adotada principalmente em áreas sem financiamento ou cobertura de seguro rural.
Com esse cenário, a canola ganha espaço como alternativa dentro dos sistemas produtivos gaúchos e se consolida como a cultura de maior expansão na safra de inverno de 2026.