Os preços do suíno vivo e da carne suína registraram nova queda em maio, acumulando o terceiro mês consecutivo de recuo. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a cotação média do animal comercializado na praça SP-5 atingiu o menor patamar real desde julho de 2012, considerando os valores corrigidos pela inflação medida pelo IGP-DI de abril de 2026.
De acordo com pesquisadores do Cepea, o mercado foi pressionado pela combinação de demanda interna enfraquecida e desempenho mais fraco das exportações, fatores que limitaram a sustentação dos preços ao longo do mês.
Consumo reagiu apenas no início de maio
O setor chegou a registrar uma melhora temporária na procura pela carne suína durante o período que antecedeu o Dia das Mães, celebrado em 10 de maio. Tradicionalmente, a data estimula o consumo de proteínas e favorece os preços do mercado pecuário.
No entanto, a reação foi pontual. Nas semanas seguintes, a demanda voltou a perder força, o que resultou em novas quedas nas cotações do animal vivo e da carne.
Segundo o Cepea, esse enfraquecimento do consumo foi determinante para a continuidade do movimento de baixa observado desde março.
Exportações também perderam ritmo
O mercado externo, que vinha funcionando como importante válvula de escape para a produção nacional, também apresentou desaceleração em maio.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que a média diária dos embarques nos primeiros 15 dias úteis de maio ficou 15% abaixo da registrada em abril.
Pesquisadores do Cepea destacam que a suinocultura brasileira tem priorizado as vendas externas ao longo deste ano como forma de reduzir a oferta disponível no mercado interno e tentar estimular uma recuperação dos preços domésticos. Com a redução do ritmo das exportações, essa estratégia perdeu parte da eficácia.
Carne recua, mas com menor intensidade
No mercado atacadista, os preços da carne suína também apresentaram queda durante maio. Entretanto, o recuo foi menos intenso do que o observado para o suíno vivo.
Segundo o Cepea, esse comportamento indica que a pressão de baixa foi mais forte sobre o produtor, que enfrentou um cenário de demanda limitada e maior dificuldade para repassar preços ao longo da cadeia produtiva.
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