Os produtores de soja do Paraná já devem se preparar para o início do vazio sanitário da safra 2026/27. A medida fitossanitária, estabelecida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), começa na próxima terça-feira (2) em parte do estado e será fiscalizada pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), responsável pela orientação e monitoramento das propriedades rurais.
O vazio sanitário tem como objetivo reduzir a presença da ferrugem asiática da soja, doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e considerada uma das principais ameaças à cultura. Durante o período, fica proibida a manutenção de plantas vivas de soja em qualquer estágio de desenvolvimento nas áreas determinadas.
Além do vazio sanitário, o calendário de semeadura também foi definido pela Portaria SDA/Mapa nº 1.579/2026. A medida complementa a estratégia fitossanitária ao limitar o período de plantio, buscando diminuir o número de aplicações de fungicidas e reduzir o risco de resistência do fungo aos produtos químicos utilizados no controle da doença.
Escalonamento respeita diferenças climáticas
No Paraná, o calendário segue dividido em três regiões para atender às diferenças climáticas entre os municípios produtores.
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Na Região 2, que engloba Norte, Noroeste, Centro-Oeste e Oeste do estado, o vazio sanitário ocorre entre 2 de junho e 31 de agosto de 2026, com semeadura autorizada de 1º de setembro a 31 de dezembro de 2026.
Já na Região 3, que compreende o Sudoeste paranaense, o vazio sanitário será de 12 de junho a 10 de setembro de 2026. O plantio poderá ocorrer entre 11 de setembro de 2026 e 10 de janeiro de 2027.
Na Região 1, formada por Sul, Leste, Campos Gerais e Litoral, o vazio sanitário vai de 21 de junho a 19 de setembro de 2026. A semeadura fica liberada entre 20 de setembro de 2026 e 20 de janeiro de 2027.
Segundo o chefe do Departamento de Sanidade Vegetal da Adapar, Paulo Roberto de Paula Brandão, a estratégia ajuda a retardar o avanço da doença nas lavouras.
“A prática beneficia o agricultor, que terá a doença cada vez mais tarde, necessitando de menos aplicações e auxiliando na manutenção da eficácia dos fungicidas”, afirmou.
Fiscalização será intensificada no estado
A Adapar informou que fará fiscalização em propriedades rurais, áreas de pousio, margens de rodovias e cultivos de inverno, como trigo, aveia e cevada, para eliminar plantas voluntárias de soja, conhecidas como “guaxas”, que podem servir de hospedeiras para o fungo durante o vazio sanitário.
O chefe da Divisão de Sanidade de Cultivos Agrícolas e Florestais da Adapar, Marcílio Martins Araújo, reforçou que os produtores precisam observar atentamente as datas estabelecidas.
“A semeadura até pode ocorrer em data imediatamente anterior ao fim do vazio, mas a germinação e a presença de plântulas no solo devem respeitar rigorosamente o início da janela de plantio definida na portaria”, explicou.
A ferrugem asiática pode provocar perdas significativas de produtividade e aumento nos custos de produção devido à necessidade de aplicações extras de fungicidas. Por isso, o cumprimento do vazio sanitário é considerado uma das principais ferramentas de controle da doença no país.
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