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Feijão ganha força nos EUA como alimento saudável e sustentável

Busca por alimentos mais baratos, nutritivos e sustentáveis amplia o consumo de feijão e outras leguminosas no mercado norte-americano

Feijão ganha força nos EUA como alimento saudável e sustentável
Feijão ganha espaço na alimentação dos norte-americanos e se consolida como símbolo de nutrição, economia e sustentabilidade. Foto: IBRAFE / Divulgação
Foto do autor Cássia Lombardi
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O feijão, alimento tradicional presente na mesa de milhões de brasileiros, vive um momento de forte valorização nos Estados Unidos. Impulsionado pela alta dos preços dos alimentos, pela busca por dietas mais saudáveis e pelo interesse crescente em sustentabilidade, o consumo de feijão, lentilhas, grão-de-bico e outras leguminosas vem avançando no país. Segundo dados da NPR, esse movimento já influencia a indústria alimentícia, campanhas de alimentação e até metas para ampliar o consumo dessas culturas nos próximos anos.

Durante décadas, o feijão foi associado nos Estados Unidos a períodos de dificuldade econômica ou a uma alternativa de baixo custo às proteínas animais. Agora, o cenário mudou. Receitas à base de feijão se multiplicam nas redes sociais, produtos derivados ganham espaço nas prateleiras dos supermercados e empresas especializadas registram demanda crescente.

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O interesse crescente acompanha uma mudança no perfil do consumidor, que busca alimentos capazes de unir nutrição, economia e benefícios ambientais.

Saúde impulsiona consumo

Um dos principais fatores por trás da valorização das leguminosas é seu perfil nutricional. Especialistas destacam que o feijão oferece uma combinação importante de fibras e proteínas, além de contribuir para a saúde intestinal, promover maior saciedade e auxiliar no controle dos níveis de açúcar e colesterol no sangue.

Estudos citados por pesquisadores norte-americanos mostram que grande parte da população dos Estados Unidos ainda consome menos fibras do que o recomendado. Nesse contexto, o feijão passou a ser visto como uma alternativa prática e acessível para melhorar a qualidade da alimentação.

A mudança também ganhou respaldo institucional. Recentemente, as diretrizes alimentares norte-americanas passaram a destacar feijões, ervilhas e lentilhas como importantes fontes de proteína, reforçando o papel desses alimentos em uma dieta equilibrada.

Sustentabilidade entra na conta

Além dos benefícios nutricionais, as leguminosas vêm ganhando relevância devido à sua contribuição para sistemas agrícolas mais sustentáveis.

O feijão é uma planta capaz de realizar a fixação biológica de nitrogênio, processo que ajuda a repor nutrientes no solo e reduz a necessidade de fertilizantes nitrogenados. Por isso, essas culturas desempenham papel importante em sistemas de rotação e conservação da fertilidade.

Para especialistas do setor, essa característica torna as leguminosas estratégicas em um cenário global marcado pela busca por maior eficiência produtiva e redução dos impactos ambientais da agricultura.

Meta é dobrar o consumo

O crescimento da demanda é tão expressivo que entidades ligadas ao setor estabeleceram metas ambiciosas. A USA Pulses, organização que representa a cadeia de leguminosas nos Estados Unidos, pretende dobrar tanto a produção quanto o consumo desses alimentos até 2030.

A iniciativa acompanha um movimento global. A Organização das Nações Unidas (ONU) também promove campanhas voltadas ao aumento do consumo de leguminosas como forma de fortalecer a segurança alimentar e incentivar sistemas agrícolas mais sustentáveis.

A estratégia inclui campanhas de conscientização, mudanças em políticas públicas e o desenvolvimento de novos produtos industrializados à base de lentilhas, grão-de-bico e feijão.

Oportunidades para o agronegócio

O avanço do consumo de leguminosas em mercados desenvolvidos pode trazer reflexos positivos para países produtores. No Brasil, onde o feijão faz parte da cultura alimentar e da produção agrícola, a tendência reforça o potencial de valorização dessas culturas em um mercado global cada vez mais atento à qualidade nutricional dos alimentos.

Além do consumo interno, o fortalecimento da imagem das leguminosas como alimentos saudáveis e sustentáveis pode ampliar oportunidades comerciais e estimular investimentos em cadeias produtivas voltadas à exportação.

O movimento observado nos Estados Unidos mostra que o feijão deixou de ser visto apenas como uma opção econômica e passou a ocupar espaço de destaque nas discussões sobre saúde, sustentabilidade e segurança alimentar, temas que ganham cada vez mais relevância para o agronegócio mundial.

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