O Paraná voltou a ganhar destaque no mercado nacional de carne de peru, registrando crescimento nas exportações e um expressivo avanço na receita gerada pelas vendas externas nos primeiros meses de 2026. Os resultados indicam a recuperação gradual de uma atividade que enfrentou forte retração na última década após o fechamento de unidades frigoríficas especializadas no estado.
Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mostram que o Paraná exportou 4,7 mil toneladas de carne de peru entre janeiro e abril deste ano. O volume representa aumento de 6,9% em comparação com o mesmo período de 2025.
No ranking nacional, o estado ocupa a terceira colocação entre os principais exportadores da proteína, atrás de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Entre os líderes do setor, porém, o Paraná apresentou o maior crescimento proporcional nas exportações.
O destaque ficou para o faturamento obtido com as vendas externas. A receita cambial alcançou US$ 22,6 milhões no primeiro quadrimestre, valor 113,1% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
México lidera compras da proteína
O México manteve a posição de principal destino da carne de peru produzida no Paraná, respondendo pela aquisição de 2,4 mil toneladas. Na sequência aparecem Chile, com mil toneladas importadas, e Peru, com 415 toneladas.
A recuperação da atividade começou a ganhar força em 2021, quando uma planta frigorífica localizada no Sudoeste do Paraná recebeu habilitação para exportar ao mercado mexicano. Desde então, a cadeia produtiva vem retomando espaço gradualmente.
O setor já teve papel de destaque na economia estadual. No passado, o Paraná chegou a liderar a produção nacional de perus, mas o encerramento de operações industriais em municípios como Carambeí e Francisco Beltrão provocou forte impacto sobre toda a cadeia produtiva.
Crescimento ainda não chega ao campo
Apesar dos resultados positivos no comércio exterior, produtores afirmam que o aumento das exportações ainda não foi suficiente para melhorar a rentabilidade dentro das propriedades.
Segundo relatos do setor, despesas com energia elétrica, manutenção de estruturas e demais insumos continuam pressionando os custos de produção, limitando os ganhos dos avicultores integrados.
Embora a carne de peru seja tradicionalmente associada às festas de fim de ano, a cadeia produtiva opera durante todo o ano, com foco crescente na produção de cortes industrializados, especialmente o peito de peru, destinado tanto ao mercado interno quanto às exportações.
A expectativa do setor é que a expansão das vendas internacionais continue contribuindo para fortalecer a atividade no Paraná, ampliando oportunidades de geração de renda, emprego e desenvolvimento econômico nas regiões produtoras.