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Conflito no Irã ameaça exportações brasileiras de soja e milho

Avanço do conflito no Oriente Médio pode afetar exportações de milho e soja do Brasil e pressionar custos com a alta do petróleo

Conflito no Irã ameaça exportações brasileiras de soja e milho
Soja e milho lideram exportações brasileiras ao Irã e podem sofrer impacto com possível agravamento do conflito. Foto: Canva
Foto do autor Francieli Galo
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O aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã reacende preocupações no agronegócio brasileiro. Embora o mercado iraniano responda por menos de 1% das exportações totais do Brasil, ele tem peso expressivo quando o recorte envolve grãos, especialmente milho e soja.

Informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que, em 2025, a movimentação comercial entre os dois países alcançou cerca de US$ 3 bilhões. Desse montante, aproximadamente US$ 2,9 bilhões vieram de vendas brasileiras, enquanto as compras somaram perto de US$ 85 milhões, garantindo superávit significativo ao Brasil.

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No cenário global, o Irã apareceu como o 31º principal destino das exportações brasileiras no último ano. Dentro do Oriente Médio, ficou atrás apenas de Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Arábia Saudita, superando mercados tradicionais como Suíça, África do Sul e Rússia.

Grãos concentram a pauta

A balança comercial entre Brasil e Irã tem forte dependência do agro. Em 2025, quase 90% do que o Brasil embarcou ao país foi composto por milho e soja.

O milho em grão liderou de forma ampla, com participação próxima de 68% nas vendas e receita superior a US$ 1,9 bilhão. A soja respondeu por cerca de 19% do total, com valor próximo de US$ 563 milhões. Açúcar, farelo de soja e derivados de petróleo também aparecem na lista de produtos exportados.

Já no sentido inverso, o fluxo é reduzido. As compras brasileiras concentram-se principalmente em fertilizantes, que representam a maior parte das importações vindas do Irã, além de frutas secas e oleaginosas.

Petróleo e logística entram no radar

Especialistas apontam dois canais principais de impacto para o Brasil: energia e comércio exterior. Uma eventual intensificação do conflito tende a impulsionar o preço do petróleo, insumo que influencia transporte, produção e custos industriais. A alta pode gerar pressão inflacionária e reduzir margens no campo.

Além disso, há o risco logístico. Caso ocorram restrições à navegação ou bloqueios na região do Golfo, o escoamento das cargas destinadas ao Irã pode enfrentar entraves. Em um cenário extremo, exportadores brasileiros de milho e soja poderiam perder um comprador relevante no curto prazo.

Histórico de oscilações

O comércio entre Brasil e Irã já passou por variações recentes. Em 2022, os embarques brasileiros superaram US$ 4 bilhões, marcando o melhor resultado da série recente. No ano seguinte, houve retração, seguida de retomada gradual em 2024 e 2025.

Apesar de não figurar entre os maiores parceiros comerciais do país em termos absolutos, o Irã tem importância estratégica para segmentos específicos do agro. Por isso, qualquer agravamento do conflito no Oriente Médio pode gerar reflexos diretos nas exportações de grãos e indiretos nos custos de produção, especialmente via mercado de energia.

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