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Queda na arroba e escala frágil mantêm forte exportação sem cota da China

Indústria exportadora adota estratégia de triangular embarques via países vizinhos da América do Sul para driblar limites de volume no mercado asiático.
Queda na arroba e escala frágil mantêm forte exportação sem cota da China
Confinadores enfrentam recuo nos preços enquanto frigoríficos redirecionam volumes para parceiros comerciais vizinhos.
Foto do autor Fabiano Reis
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O mercado físico do boi gordo registra um comportamento atípico e de forte distorção nas principais praças pecuárias do Brasil. Nas últimas duas semanas, o setor passou a operar em um cenário onde as propostas de compra por parte das indústrias recuaram de forma expressiva, mas as escalas de abate não avançaram. Pelo contrário, as indústrias frigoríficas vêm enfrentando dificuldades para fechar as escalas de longo prazo, reduzindo o número de dias garantidos de atividade programada em diversas regiões produtoras.

Esse movimento de retração nos preços está diretamente atrelado à suspensão do pagamento de ágio para o chamado "Boi China" (animais jovens que atendem aos requisitos do mercado asiático). Grandes grupos frigoríficos já suspenderam as compras sob essas condições especiais. Como exemplo prático, no grupo JBS, pouco mais da metade de suas 35 plantas industriais habilitadas para exportação não realizam mais a aquisição de matéria-prima com o prêmio de preço. O principal motivo é a proximidade do encerramento da cota anual de exportação para a China, prevista para se esgotar em meados de julho de 2026.



Triangulação de mercados e o exemplo da Oceania

A exaustão de cotas de fornecimento para os chineses não é um fenômeno exclusivo da pecuária brasileira e repete um padrão observado com outros grandes competidores globais, como a Austrália. O país da Oceania manteve o ritmo de produção e escoamento direcionando sua carne para nações que ainda dispunham de cotas ativas com Pequim, suprindo o mercado interno desses parceiros enquanto eles exportavam a própria produção para a Ásia.

Essa mesma estratégia de triangulação comercial já está em andamento na América do Sul. As exportações brasileiras de carne bovina para países vizinhos com forte DNA exportador cresceram de forma acelerada. Os embarques do Brasil para a Argentina, por exemplo, praticamente dobraram na comparação com o mesmo período do ano anterior. A tendência é que o fluxo se intensifique para outros destinos sul-americanos que ainda mantêm margem de envio para o mercado chinês.

Histórico de tarifas e sustentação industrial

O atual cenário guarda semelhanças com períodos anteriores de estresse logístico e tarifário, como as restrições impostas pelos Estados Unidos à carne brasileira no passado. Naquela oportunidade, o mercado doméstico enfrentou forte pressão baixista, com recuos de até R$ 30,00 por arroba em determinados estados. No entanto, o volume total de carne acabou sendo escoado para mercados alternativos e para os próprios EUA mesmo sob taxação, transferindo o custo da operação ao pecuarista.

A atual conjuntura de arroba pressionada combinada a escalas de abate enxutas sinaliza que as indústrias frigoríficas mantêm a atividade operacional em patamares elevados. O foco está no atendimento de contratos internacionais vigentes e na prospecção de mercados alternativos que, em termos de margem líquida, apresentam rentabilidade equivalente ou superior à do mercado chinês tradicional.

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