A busca por soluções para elevar a eficiência da pecuária de cria em Mato Grosso levou uma comitiva de produtores, lideranças do setor, pesquisadores e representantes da academia à Fazenda São Pedro da Mantiqueira, em Pindamonhangaba (SP). No local, o Grupo Roncador desenvolve o sistema "Super Cria". Realizada na última sexta-feira, a visita técnica teve como foco o intercâmbio de informações para intensificar a produção de bezerros por meio da alimentação no cocho, do planejamento forrageiro, da integração lavoura-pecuária e do acompanhamento de indicadores.
Gargalo da cadeia e adaptação do modelo
A missão buscou identificar práticas que possam ser validadas e adaptadas às condições climáticas, econômicas e produtivas de Mato Grosso. Na avaliação dos participantes, a fase de cria ainda é um dos principais gargalos da pecuária mato-grossense, enquanto a recria e a engorda avançaram mais rapidamente em produtividade, nutrição e gestão. Atualmente, a pecuária do estado ampliou o uso de confinamentos e integração com grãos na terminação, mas a produção de bezerros ainda ocorre majoritariamente em sistemas extensivos, dependentes da sazonalidade das pastagens.
A proposta das instituições não é transferir integralmente o modelo paulista, mas validar e testar seus componentes em solo mato-grossense, tanto em campos experimentais quanto em propriedades parceiras, ajustando fatores como clima, topografia e alimentação antes de buscar escala comercial.
Operação no cocho e gestão por indicadores
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O sistema inverte a lógica da pecuária extensiva: em vez de as matrizes percorrerem grandes áreas para colher o pasto, a forragem (silagem e pré-secado) é produzida, conservada e fornecida diretamente no cocho. A concentração dos animais em uma área menor libera parcelas da propriedade para a lavoura, que por sua vez fornece parte do alimento utilizado pela pecuária.
A fazenda acompanha rigorosamente dados de produção de forragem, consumo, taxa de prenhez, desempenho dos bezerros e custos operacionais. Na avaliação de pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), uma das possibilidades para o estado é aproveitar o calendário agrícola local, utilizando áreas após a colheita antecipada da soja para o cultivo de gramíneas destinadas à fabricação de silagem para as matrizes.
A próxima etapa da parceria incluirá o aprofundamento das informações reunidas e a discussão para a instalação de unidades de validação em diferentes ambientes de Mato Grosso, com a participação de técnicos do Imea, Senar-MT e Acrimat.
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