Com a chegada do período seco em Mato Grosso do Sul, o planejamento da alimentação do rebanho torna-se o fator decisivo para evitar prejuízos na pecuária. A falta de preparo compromete diretamente o ganho de peso dos animais, a produção de leite e os índices reprodutivos, além de inflacionar os custos da fazenda com compras emergenciais de última hora.
Segundo Andrei Pereira Neves, supervisor de campo da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em Bovinocultura de Corte do Senar/MS e especialista em nutrição animal, a seca é um evento previsível e deve ser tratada como parte da rotina anual da propriedade.
"A seca não é novidade. Todos os anos ela chega e, por isso, a palavra que o produtor precisa ter em mente é planejamento. Quem se prepara consegue atravessar esse período mantendo a produção e reduzindo impactos econômicos negativos", afirma Neves.
O impacto da estiagem no pasto
Durante os meses de seca, a escassez de chuvas e a queda nas temperaturas desaceleram o crescimento das pastagens e reduzem drasticamente o valor nutritivo da forragem. Com o capim seco e pobre em proteínas, os animais não conseguem aproveitar bem os nutrientes, o que se traduz em perda de peso e queda na produtividade geral.
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Para minimizar esses impactos, a recomendação é definir com antecedência as estratégias de alimentação, considerando as características de cada propriedade. Entre as alternativas estão o diferimento de pastagens, a produção de silagem, a implantação de capineiras e a suplementação estratégica, além do ajuste da lotação das áreas e da formação de reservas de alimento.
O risco das compras de última hora
Deixar para resolver o problema quando o pasto já está zerado pesa no bolso. O especialista alerta para o impacto financeiro da falta de planejamento.
"O produtor que deixa para buscar feno, ração ou outros insumos quando a seca já se instalou acaba pagando mais caro, pois a demanda do mercado faz os preços subirem nessa época. De última hora, o custo sempre acaba sendo maior. O ideal é organizar o manejo do capim e a reserva de alimento antes do período crítico", orienta Neves.
O supervisor do Senar/MS reforça que não existe uma receita única. A melhor estratégia vai depender da categoria dos animais, do objetivo da fazenda, da mão de obra disponível e da capacidade de investimento do produtor. Ao planejar o manejo e usar a suplementação de forma inteligente, a seca deixa de ser uma crise para se tornar apenas mais uma etapa controlada do negócio.
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