A Associação Brasileira de Angus está à frente de um projeto inédito na pecuária nacional. A entidade vai integrar dados genéticos, análises de carne e modelos preditivos focados exclusivamente em animais meio-sangue. O objetivo prático do trabalho é identificar com alta precisão os touros Angus que possuem maior probabilidade de transmitir características de qualidade de carne quando cruzados com vacas de outras raças, como a Nelore.
Este estudo marca uma das primeiras grandes iniciativas da associação desde que se consolidou como Instituição Científica Tecnológica (ICT), em 2026. O principal resultado para o mercado será o desenvolvimento de novas Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs) voltadas para o cruzamento industrial, incluindo indicadores inéditos como o de maciez da carne.
Tecnologia de ponta no frigorífico
O projeto conta com a colaboração de parceiros de peso científico, como a Embrapa Pecuária Sul, e inicia sua etapa de campo no dia 14 de julho. Com orçamento garantido para a meta inicial, a equipe coletará 6 mil amostras genéticas de fêmeas meio-sangue que passam pelos critérios do Programa Carne Angus Certificada.
Para viabilizar a operação em larga escala, os pesquisadores desenvolveram um protocolo inédito que utiliza a tecnologia TSU para extrair amostras de tecido muscular diretamente das carcaças resfriadas nos frigoríficos — adaptando uma técnica que antes era restrita à cartilagem da orelha dos animais vivos.
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"O grande diferencial dessa pesquisa é a construção da primeira população de referência nacional focada em animais meio-sangue", destaca Carolina Silveira, assistente de fomento e coordenadora da ICT da Associação. Hoje, as avaliações de marmoreio e área de olho de lombo baseiam-se apenas no rebanho puro e por ultrassonografia. Ao cruzar os dados reais do frigorífico com a genética, o projeto gerará uma lista atualizada de touros superiores, dando mais segurança econômica ao produtor.
Sustentabilidade e metas na COP 30
Além do ganho em rentabilidade, a genética de precisão encurta o ciclo produtivo da pecuária. Animais com mérito genético superior aproveitam melhor os insumos e atingem o peso de abate mais cedo, o que reduz as emissões de gases de efeito estufa e otimiza o uso de água e pastagens. O projeto atende a seis Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e alinha o setor às metas climáticas da COP 30.
Próximos passos
O planejamento futuro prevê a captação de financiamentos externos, como recursos da FINEP, para expandir o banco de dados para 10 mil animais e realizar análises físico-químicas laboratoriais em 3 mil amostras de carne. Testes de pH, colorimetria, teor de gordura e força de cisalhamento serão usados para consolidar a inédita predição genética para maciez.
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