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Fretes seguem em alta com pressão dos custos logísticos

Custos operacionais, especialmente do diesel, mantêm os fretes agropecuários em níveis elevados

Fretes seguem em alta com pressão dos custos logísticos
Custos com combustível seguem entre os principais fatores que sustentam os preços dos fretes agrícolas no Brasil.
Foto do autor Cássia Lombardi
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Os elevados custos operacionais do transporte de cargas continuam pressionando os preços dos fretes agropecuários no Brasil. Segundo o Boletim Logístico de maio divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), despesas com diesel e outros insumos do setor impediram uma redução mais significativa nas tarifas praticadas nas principais rotas agrícolas do país.

De acordo com a estatal, embora o comportamento dos fretes varie conforme o ritmo da colheita e da movimentação de cargas em cada região, os valores seguem acima dos registrados no mesmo período do ano passado, principalmente devido ao custo do combustível.

Segundo o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth, o diesel permanece como o principal fator de sustentação dos preços do transporte rodoviário. Ele destaca que medidas adotadas pelo governo federal, como a isenção de impostos sobre o combustível, ajudaram a amenizar os impactos provocados pela valorização internacional do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio.

Centro-Oeste mantém demanda aquecida

Em Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, o mercado de fretes apresentou estabilidade em abril, mas com preços ainda considerados elevados para o período. A forte movimentação da safra e a continuidade dos embarques para exportação mantiveram a demanda por caminhões aquecida.

Situação semelhante foi observada em Mato Grosso do Sul. Mesmo após o período mais intenso da colheita da soja, o elevado volume de produção e os embarques destinados ao mercado externo sustentaram os valores do transporte agrícola.

Em Goiás, a Conab identificou redução mensal nos fretes. No entanto, o custo do combustível segue cerca de 15% acima do registrado em abril de 2025, fator que mantém os preços em patamares superiores na comparação anual.

Já no Distrito Federal, houve aumento nas tarifas em todas as rotas monitoradas. Embora a colheita da soja tenha perdido intensidade ao longo de abril, os fretes permaneceram elevados devido à demanda logística ainda significativa.

Cenário varia entre as regiões produtoras

No Paraná, os fretes registraram oscilações pontuais, influenciadas principalmente pelo cenário geopolítico internacional e pelos reflexos sobre os custos de transporte.

Na Bahia, os preços apresentaram comportamento distinto entre as regiões produtoras. Nas áreas com cultivo concentrado na primavera e verão, os fretes seguiram em alta. Já nas regiões de produção durante o outono e inverno, a tendência observada foi de queda.

O Maranhão registrou forte movimentação logística com o avanço da colheita da soja. Apesar disso, a maioria das rotas acompanhadas apresentou redução nos preços dos fretes entre março e abril. O comportamento foi influenciado pela desaceleração dos reajustes nos combustíveis e pelas medidas de incentivo ao diesel adotadas pelo governo federal.

No Piauí, o mercado apresentou maior aquecimento em relação ao mês anterior. Mesmo assim, as cotações médias permaneceram praticamente estáveis, já que a maior demanda por transporte foi compensada pela redução dos preços dos combustíveis no estado.

São Paulo registra acomodação após alta

Em São Paulo, os fretes apresentaram leve recuo em abril após as fortes valorizações registradas em março. Embora o ritmo das exportações tenha mantido a necessidade de transporte em níveis elevados, as políticas de subvenção e desoneração do diesel contribuíram para aliviar parte da pressão sobre os preços.

Segundo a Conab, o cenário demonstra que, mesmo com variações regionais e ajustes pontuais, os custos operacionais continuam sendo o principal fator de sustentação dos fretes agropecuários no país, influenciando diretamente a logística e a competitividade do setor.

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