Frete bate recorde com falta de caminhões no 2º trimestre

Mesmo com queda de 22% no volume de cargas, preço médio do frete sobe 20% e supera a pressão do diesel no bolso do transportador
Frete bate recorde com falta de caminhões no 2º trimestre
Desequilíbrio entre a oferta de caminhões e a alta demanda do agronegócio pressiona tarifas e bate recorde no mercado nacional.
Foto do autor Cássia Lombardi
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O segundo trimestre de 2026 consolidou uma mudança profunda na dinâmica do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Mesmo com uma redução de 22% no volume nacional de fretes em relação ao mesmo período do ano passado, o preço médio do transporte avançou 20%, atingindo um novo recorde histórico. Os dados constam na nova edição do relatório Frete Insights, elaborado pela plataforma Frete.com.

O levantamento revela que a escassez de caminhões e motoristas disponíveis no mercado spot passou a exercer maior influência sobre a formação das tarifas do que o próprio preço do combustível. De acordo com o estudo, o Índice Frete.com de Preços (IFP) avançou 5,3% em relação ao primeiro trimestre deste ano e encerrou o mês de junho com uma nova alta mensal de 3,3%, mantendo a tendência de valorização.



O desequilíbrio entre a oferta e a demanda por transporte, principalmente nos corredores estratégicos de escoamento do agronegócio, tornou-se o fator determinante para sustentar a alta dos preços, blindando as tarifas mesmo em um cenário de menor movimentação física de mercadorias pelas rodovias brasileiras.

Escassez de frota supera o impacto do diesel

A mudança na composição dos custos fica clara quando comparada ao comportamento do combustível de referência do setor. Enquanto o óleo diesel acumulou uma alta de 14% na comparação anual, o preço médio cobrado pelo frete subiu 21% no mesmo período, confirmando que o combustível deixou de ser a principal pressão isolada sobre os valores cobrados nas viagens.

Em termos regionais, embora todas as áreas tenham registrado retração no volume movimentado de fretes, o Sudeste ampliou seu domínio de mercado. A região passou a concentrar 43% do volume total nacional, contra 39% do ano anterior. Em contrapartida, as regiões Sul e Norte registraram as maiores quedas de atividade no trimestre, ambas com recuo de 34%.

Na divisão por estados, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso responderam, juntos, por 52% de todo o volume de fretes registrado na plataforma logística, evidenciando o peso dos eixos que interligam o parque industrial do Sudeste às fronteiras agrícolas do Centro-Oeste.

Agronegócio dita as maiores altas e pressiona corredores

O agronegócio manteve a liderança absoluta no transporte rodoviário brasileiro, respondendo por 42,9% do volume total de fretes monitorados no trimestre. Essa pressão contínua refletiu-se diretamente nas cotações das rotas de escoamento. As maiores valorizações ocorreram nas seguintes viagens ligadas ao agro, na comparação com o segundo trimestre de 2025:

Nova Mutum (MT) – Imbituba (SC): alta de 72,3%

Barro Alto (GO) – Laranjeiras (SE): alta de 49,2%

Campo Verde (MT) – Paranaguá (PR): alta de 48,6%

O relatório Frete Insights também mapeou os maiores gargalos operacionais do país. O corredor entre Coromandel (MG) e o Porto de Santos (SP) registrou o maior desequilíbrio do mercado nacional, computando uma média de 6,96 cargas disponíveis para cada caminhão anunciado. Na sequência aparecem as rotas de Porto dos Gaúchos (MT) a Rondonópolis (MT), com 5,11 cargas por veículo, e de Luz (MG) a Santos (SP), com 4,56. Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo lideram o ranking de pressão geral sobre a capacidade logística da frota.

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