O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou nesta terça-feira (30 de junho de 2026) os seus aguardados relatórios de Intenção de Plantio e Estoques Trimestrais. O documento mexeu imediatamente com a Bolsa de Chicago ao trazer números que, no cômputo geral, vieram ligeiramente acima do que as consultorias privadas e o mercado financeiro esperavam, desenhando um cenário de oferta robusta para o segundo semestre.
No front dos estoques trimestrais na posição de 1º de junho de 2026, a soja foi o grande destaque altista em volume físico. O país norte-americano acumula 28,9 milhões de toneladas da oleaginosa em seus armazéns. O número supera a expectativa média do mercado (que projetava 28,6 milhões de toneladas) e fica expressivamente acima das 27,4 milhões de toneladas registradas em junho do ano passado.
Milho ganha área e trigo encolhe nos EUA
Os dados de área plantada para a safra 2026 consolidaram um rearranjo importante na escolha do produtor americano, o que afeta diretamente a competitividade do grão brasileiro no mercado de exportação:
Milho: A área estimada ficou em 38,57 milhões de hectares. O mercado projetava um recuo maior (38,41 milhões de hectares). Embora o número seja menor que os 39,98 milhões de hectares de 2025, o dado atual veio acima das expectativas e trouxe viés de baixa para os preços.
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Soja: O complexo seguiu a tendência de expansão territorial, fechando em 34,56 milhões de hectares. Trata-se de um salto firme em relação aos 32,87 milhões de hectares cultivados no ciclo de 2025.
Trigo: O cereal foi na contramão e registrou retração acentuada. A área plantada caiu para 17,28 milhões de hectares, ficando abaixo das expectativas do mercado (17,74 milhões) e frustrando as intenções de março, que apontavam 17,71 milhões de hectares.
Estoques de milho sob pressão
Apesar de o milho registrar um recuo natural em seus estoques trimestrais em comparação a março deste ano (quando os armazéns operavam com 229,1 milhões de toneladas devido ao pico pós-colheita), a posição atual de 134,5 milhões de toneladas assusta pela comparação anual. Em junho do ano passado, os estoques americanos de milho estavam em 117,9 milhões de toneladas.
Esse excedente de quase 17 milhões de toneladas de milho de um ano para o outro nos EUA eleva a concorrência global e exige atenção redobrada dos exportadores e produtores brasileiros de safrinha, que começam a escoar o grosso da produção nacional neste trimestre.
