O agronegócio paulista encerrou os cinco primeiros meses de 2026 com superávit de US$ 8,37 bilhões na balança comercial. O resultado foi alcançado com exportações de US$ 10,85 bilhões e importações de US$ 2,48 bilhões. No período, o setor respondeu por 38,5% de todas as exportações do Estado de São Paulo, enquanto as importações ligadas ao agro representaram 6,9% do total estadual.
Apesar da redução de 3,2% no valor exportado em comparação com o mesmo período do ano passado, o volume embarcado cresceu 5,2%, evidenciando a capacidade do setor de ampliar sua presença nos mercados internacionais mesmo diante de um cenário menos favorável para os preços agrícolas.
Segundo o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, o desempenho demonstra a força do agro paulista em um ambiente de mercado desafiador.
“O diferencial do agro paulista está na produtividade, na tecnologia e na capacidade dos produtores de atender mercados cada vez mais exigentes. Mesmo com a queda das cotações internacionais de importantes commodities, o setor ampliou o volume exportado e manteve um superávit superior a US$ 8 bilhões”, afirmou.
Carnes, soja e produtos florestais ganham espaço
O complexo sucroalcooleiro permaneceu como principal grupo exportador do agronegócio paulista, respondendo por 21,3% das vendas externas, com faturamento de US$ 2,3 bilhões. Desse total, o açúcar representou 95,1% e o etanol 4,9%.
Na sequência aparece o setor de carnes, responsável por 17% das exportações do agro paulista, com US$ 1,8 bilhão em receitas. A carne bovina respondeu por 83,5% desse montante.
O complexo soja ocupou a terceira posição, com participação de 14,3% e exportações de US$ 1,55 bilhão. A soja em grão respondeu por 84,3% das vendas do segmento, seguida pelo farelo de soja, com 10,7%.
Os produtos florestais representaram 13% da pauta exportadora, somando US$ 1,4 bilhão. A celulose respondeu por 65,1% das vendas do grupo, enquanto o papel participou com 28,8%.
Já o segmento de sucos respondeu por 7,5% das exportações do agro paulista, totalizando US$ 813,2 milhões, sendo o suco de laranja responsável por 96,3% desse valor. O café aparece na sexta colocação, com US$ 689,2 milhões em embarques e participação de 6,4% na pauta exportadora.
Juntos, esses cinco principais grupos representaram 73,1% das exportações do agronegócio paulista no período.
Queda de preços afeta alguns segmentos
As maiores altas no valor exportado foram registradas pelos setores de carnes, que cresceram 20,1%, complexo soja, com avanço de 17,4%, e produtos florestais, que aumentaram 12,7%.
Por outro lado, os segmentos de sucos, complexo sucroalcooleiro e café registraram retração. As exportações de sucos caíram 39,3%, enquanto o setor sucroalcooleiro teve redução de 16,6%. O café apresentou queda de 16,5% no valor exportado.
Para o pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), José Alberto Ângelo, os produtos florestais seguem entre os destaques da pauta paulista, impulsionados pela demanda internacional aquecida por celulose.
China lidera compras do agro paulista
A China manteve a posição de principal destino das exportações do agronegócio paulista, concentrando 27,8% das vendas externas. O país asiático adquiriu principalmente produtos do complexo soja, carnes, produtos florestais e fibras têxteis.
A União Europeia aparece na segunda posição, com participação de 14,7%, seguida pelos Estados Unidos, que responderam por 10,2% das exportações do setor.
São Paulo ocupa segunda posição no ranking nacional
No cenário brasileiro, São Paulo permanece como o segundo maior exportador do agronegócio nacional, com participação de 15,4% nas vendas externas do setor. O estado fica atrás apenas de Mato Grosso, que lidera o ranking com 20,7%.
Expectativa é de novas oportunidades para o açúcar
Apesar das incertezas relacionadas aos preços internacionais, aos custos logísticos e ao cenário geopolítico, a expectativa é positiva para alguns segmentos ao longo do segundo semestre.
De acordo com avaliações do setor, a restrição das exportações de açúcar pela Índia pode abrir novas oportunidades para o produto brasileiro em mercados estratégicos, especialmente na Ásia, fortalecendo ainda mais a participação do agronegócio paulista no comércio internacional.