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Queda nos custos não alivia pressão sobre produtor de leite

Embora os insumos tenham recuado em fevereiro, o tombo no valor pago ao produtor mantém a atividade pressionada e acende alerta para nova alta de custos em março

Queda nos custos não alivia pressão sobre produtor de leite
Redução nos custos de produção em fevereiro não foi suficiente para compensar a forte queda no preço pago ao produtor de leite.
Foto do autor Jair Reinaldo
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A redução nos custos de produção do leite em fevereiro não foi suficiente para aliviar a pressão sobre a rentabilidade do produtor gaúcho. Apesar do recuo nos principais insumos, o preço recebido pelo pecuarista leiteiro segue em queda mais acentuada, mantendo as margens comprimidas e o cenário de preocupação no campo.

O Índice de Insumos para Produção de Leite Cru do Rio Grande do Sul (ILC) encerrou fevereiro com deflação de 2,7%, conforme relatório divulgado pela equipe econômica da Farsul nesta segunda-feira (30). O resultado reflete um movimento de alívio nos custos da atividade, puxado principalmente pela queda nas cotações da soja e do milho, dois dos principais componentes da alimentação do rebanho.

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A soja registrou recuo de 4,2% no período, enquanto o milho caiu 2,4%. O movimento impacta diretamente despesas importantes da pecuária leiteira, especialmente com silagem e concentrado, que representam parte significativa do custo operacional das propriedades. Além dos grãos, também houve redução nos fertilizantes, com baixa de 1,72%, nos combustíveis, que recuaram 0,37%, e na energia elétrica, com queda de 6,7%, favorecida pela sazonalidade do primeiro trimestre.

No acumulado de 2026, o ILC apresenta deflação de 4,49%, em linha com o comportamento do IGP-DI/FGV. Segundo a análise da Farsul, essa convergência entre os indicadores reforça a continuidade do processo de desinflação e o repasse desse movimento para os principais insumos utilizados na atividade leiteira.

Apesar disso, o alívio nos custos ainda não se traduz em melhora para o produtor. O principal problema, segundo o levantamento, está no descompasso entre o custo de produção e o preço recebido pelo leite. Embora ambos estejam em trajetória de queda, a desvalorização do produto vendido pelo pecuarista tem sido muito mais intensa, o que reduz a margem de lucro e amplia a pressão sobre a atividade.

Nos últimos 12 meses, o custo de produção recuou 7,7%, enquanto o preço pago ao produtor caiu 20%. Esse descolamento evidencia que, mesmo com insumos mais baratos, a receita da atividade encolheu em ritmo muito superior, dificultando a sustentabilidade econômica das propriedades leiteiras.

O cenário para março também inspira cautela. A expectativa é de que os desdobramentos de conflitos globais passem a impactar diretamente a trajetória dos custos, invertendo parte do movimento observado no início do ano. A perspectiva é de pressão sobre petróleo, fertilizantes e também sobre a soja, fatores que podem elevar novamente as despesas do produtor.

Com isso, a atividade leiteira segue em um momento delicado. Mesmo diante da queda nos custos registrada em fevereiro, o produtor continua sem sentir alívio efetivo no caixa, já que o valor recebido pelo leite permanece em patamar insuficiente para recompor as margens. Se a tendência de alta nos insumos se confirmar nos próximos meses, a pressão sobre a rentabilidade pode se intensificar ainda mais.

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