O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou nesta segunda-feira (8) os primeiros casos de greening, também conhecido como Huanglongbing (HLB), em plantas cítricas no Rio Grande do Sul. A detecção marca um novo desafio para a citricultura gaúcha e mobiliza autoridades sanitárias para evitar a disseminação da doença no estado.
A confirmação ocorreu após análises laboratoriais realizadas na rede oficial do Ministério. As plantas com sintomas foram encontradas em um pomar doméstico localizado no município de Palmitinho, na região do Médio Alto Uruguai, próximo à divisa com Santa Catarina.
Vigilância reforçada após confirmação
A identificação da doença é resultado de um trabalho de monitoramento conduzido desde 2004 pelo Mapa, por meio da Superintendência Federal de Agricultura no Rio Grande do Sul (SFA-RS), em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi-RS).
Nos últimos anos, as ações de vigilância foram intensificadas devido ao avanço do greening em regiões próximas, incluindo áreas da Argentina, Uruguai e do estado de Santa Catarina.
Após a confirmação dos casos, equipes técnicas do Mapa e da Seapi-RS foram mobilizadas para monitorar propriedades vizinhas e implementar medidas fitossanitárias previstas no Plano de Ação estabelecido pela Portaria SDA/Mapa nº 1.326/2025, que institui o Programa Nacional de Controle e Prevenção do Greening.
Controle do inseto transmissor
Entre as ações previstas estão a erradicação das plantas contaminadas e o controle rigoroso do psilídeo (Diaphorina citri), inseto responsável pela transmissão da bactéria causadora da doença.
Além disso, a fiscalização será ampliada em toda a região, especialmente em áreas de produção comercial e no transporte de mudas cítricas, consideradas um dos principais meios de disseminação do problema.
Doença afeta a produção, mas não oferece risco à saúde
O greening é considerado uma das doenças mais severas da citricultura mundial. Embora não represente riscos à saúde humana, causa impactos significativos na produção, reduzindo a produtividade dos pomares e comprometendo a qualidade dos frutos.
Entre os principais sintomas estão deformações, maturação irregular e queda na qualidade comercial das frutas, fatores que podem gerar prejuízos econômicos aos produtores.
O Serviço Oficial de Defesa Vegetal reforçou a importância da utilização de mudas certificadas e produzidas conforme as exigências sanitárias estabelecidas pelo Ministério da Agricultura. Segundo os órgãos responsáveis, a adoção de material propagativo de origem regular é uma das principais medidas para prevenir a disseminação da doença e proteger a citricultura brasileira.