Produtores gaúchos iniciam plantio das culturas de inverno
Canola e aveia-branca avançam no campo, enquanto trigo e cevada enfrentam cautela devido aos custos de produção e risco de El Niño
Enquanto a colheita das culturas de verão se aproxima do fim no Rio Grande do Sul, produtores rurais começam a intensificar os trabalhos voltados à safra de inverno. Canola e aveia-branca já avançam em diversas regiões do Estado, enquanto culturas como trigo e cevada enfrentam um cenário de maior cautela devido aos custos elevados de produção, restrições de crédito e preocupação com possíveis impactos climáticos associados ao El Niño.
Segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (14) pela Emater/RS-Ascar, as chuvas recentes favoreceram a reposição da umidade do solo, mas também dificultaram o avanço operacional das semeaduras em algumas regiões.
Canola ganha espaço no campo
A semeadura da canola começou no fim de abril e segue avançando em maio. A cultura apresenta tendência de crescimento de área cultivada no Estado, impulsionada pela busca dos produtores por alternativas econômicas ao trigo e pela inserção em sistemas de rotação de culturas.
As lavouras já implantadas apresentam bom estabelecimento, principalmente nas áreas com melhor drenagem e estrutura de solo. Na região de Ijuí, cerca de 45% da área projetada já foi semeada, enquanto em Santa Rosa o índice chega a aproximadamente 30%.
De acordo com a Emater/RS-Ascar, produtores têm priorizado áreas de relevo ondulado e melhor drenagem diante da possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, buscando reduzir riscos de doenças relacionadas ao excesso de umidade.
Na safra de 2025, o Rio Grande do Sul cultivou 174,3 mil hectares de canola, com produtividade média de 1.653 kg por hectare e produção total de 285,4 mil toneladas, conforme dados do IBGE.
Aveia-branca avança com boas condições iniciais
A aveia-branca também começa a ganhar espaço à medida que as áreas de verão são liberadas. A expectativa é de intensificação da semeadura na segunda quinzena de maio.
A tendência é de manutenção da área cultivada em relação à safra anterior, quando o Estado registrou 393,1 mil hectares plantados e produção de 935,6 mil toneladas.
Apesar das boas condições de umidade no solo, produtores demonstram maior cautela nos investimentos tecnológicos devido à alta dos fertilizantes e demais insumos agrícolas.
Trigo e cevada enfrentam cenário de cautela
No trigo, o cenário é de redução da área cultivada. Entre os fatores apontados estão o aumento dos custos de produção, restrições ao crédito rural, dificuldades relacionadas ao seguro agrícola e o risco climático associado ao possível retorno do El Niño.
Na safra passada, o Rio Grande do Sul cultivou mais de 1,16 milhão de hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 kg por hectare.
A cevada também deve registrar redução de área. Embora exista incentivo da indústria cervejeira, a possibilidade de um inverno mais úmido preocupa produtores devido ao aumento do risco de doenças e perdas de qualidade dos grãos.
Colheita das culturas de verão entra na reta final
Enquanto o plantio de inverno avança, a colheita das culturas de verão se aproxima da conclusão no Estado. A soja já alcança cerca de 95% da área colhida, estimada em 6,6 milhões de hectares, com produtividade média projetada em 2.871 kg por hectare.
No milho, a colheita chega a 94% da área cultivada, enquanto o milho destinado à silagem alcança 93%. O arroz irrigado também está praticamente finalizado, superando 98% da área colhida, com produtividade considerada elevada e boa qualidade dos grãos.
