Os custos de produção do trigo registraram aumento de 10,46% em maio, a maior elevação dos últimos quatro anos, conforme análise divulgada pela TF Agroeconômica. "O cenário acende um sinal de alerta para os produtores, que precisarão redobrar a atenção ao planejamento financeiro e comercial para preservar a rentabilidade da próxima safra, afirma o economista Luiz Fernando Pacheco.
Segundo ele, o avanço dos custos ocorre em um momento de desafios para a triticultura, exigindo maior controle sobre investimentos e estratégias de comercialização. "A definição antecipada de metas de venda e de rentabilidade pode ser decisiva para minimizar os impactos da alta dos desembolsos no campo", salienta.
Planejamento ganha importância
Diante do aumento expressivo dos custos, o economista da TF Consultoria destaca que o planejamento comercial deve começar antes mesmo da aquisição dos insumos necessários para a nova safra. A estratégia permite ao produtor avaliar oportunidades de mercado e travar margens consideradas satisfatórias quando surgirem momentos favoráveis de negociação."A recomendação que fazemos é que a gestão da comercialização seja tratada como parte fundamental do processo produtivo, acompanhando de perto as oscilações do mercado futuro e as perspectivas para os preços do trigo", destaca Luiz Fernando Pacheco.
Desafio para a rentabilidade
Essa alta dos custos de produção reduz a margem de segurança dos produtores e amplia a necessidade de eficiência na gestão da propriedade. Luiz Fernando alerta que, com despesas maiores, o resultado econômico da safra dependerá ainda mais do equilíbrio entre produtividade, controle de gastos e preços obtidos na comercialização.
Para o setor, o cenário reforça a importância de decisões estratégicas antecipadas, especialmente em um ambiente de mercado cada vez mais influenciado por fatores climáticos, cambiais e pelo comportamento da oferta global de trigo.
Mercado não estimula plantio no PR
O produtor paranaense Renato Martini desistiu da cultura de trigo no Paraná há alguns anos. "O preço dos produtos está muito aquém do que a gente espera e não vejo mais lucratividade na cultura", afirma Martini, que tem propriedade na cidade Cascavel, na região Oeste.
Para ele, o preço baixo e o aumento do insumos aliado a um mercado retraído desestimula o produtor paranaense a plantar trigo. "E o clima do Paraná nunca ajudou o trigo a ser uma cultura viável no Estado", afirma. "Hoje, quem cultiva trigo aqui no Estado é em função de uma boa cobertura de solo para o soja e milho no verão ou gosta muito da cultura", diz Martini