A semeadura da canola segue em ritmo acelerado no Rio Grande do Sul e já se aproxima da conclusão em diversas regiões produtoras. Favorecida pelo tempo seco e pelas boas condições de trafegabilidade das áreas agrícolas, a cultura desponta como uma das principais apostas para a safra de inverno de 2026, com expectativa de expansão significativa da área cultivada no estado.
Apesar do avanço dos trabalhos, a baixa umidade do solo tem limitado o desenvolvimento inicial das lavouras em algumas localidades, provocando emergências irregulares e exigindo maior atenção dos produtores. Mesmo assim, a perspectiva permanece positiva diante da busca por alternativas mais rentáveis e da necessidade de diversificação dos sistemas produtivos.
Falta de chuva preocupa produtores
Na Fronteira Oeste, onde estão previstas algumas das maiores áreas de cultivo, municípios como Maçambará e São Borja lideram as projeções de plantio. No entanto, a escassez de chuvas após um longo período de estiagem fez com que parte das áreas fosse implantada fora da janela considerada ideal para a cultura.
Na região de Santa Rosa, a emergência das plantas ocorreu de forma desigual devido à distribuição irregular das precipitações. A situação pode resultar em diferentes estágios de desenvolvimento dentro da mesma lavoura, aumentando o risco de perdas de produtividade e de qualidade dos grãos durante a colheita.
Já na região de Soledade, a semeadura entra na fase final, com previsão de aproximadamente 9 mil hectares destinados à oleaginosa.
Em 2025, o Rio Grande do Sul cultivou 174,3 mil hectares de canola, alcançando produtividade média de 1.653 quilos por hectare e produção superior a 285 mil toneladas, segundo dados do IBGE.
Trigo deve perder área na safra 2026
Enquanto a canola avança, o trigo apresenta perspectivas menos favoráveis. A semeadura ocorre de forma inicial, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), mas a expectativa é de redução expressiva da área cultivada em comparação ao ciclo anterior.
Entre os fatores que influenciam a decisão dos produtores estão os elevados custos de produção, a menor atratividade econômica do cereal e o aumento da percepção de risco climático, especialmente devido à possibilidade de influência do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera.
Mesmo diante desse cenário, parte dos agricultores tem antecipado o plantio como estratégia para posicionar as fases mais sensíveis da cultura antes do período de chuvas mais intensas.
Na safra passada, o estado cultivou mais de 1,16 milhão de hectares de trigo, com produção superior a 3,45 milhões de toneladas.
Aveia mantém estabilidade e cevada recua
A aveia-branca segue com avanço da semeadura nas principais regiões produtoras. As primeiras lavouras apresentam bom estabelecimento e desenvolvimento vegetativo, beneficiadas pelas condições climáticas favoráveis e pela baixa incidência de pragas e doenças.
Embora os custos dos insumos continuem elevados, a cultura deve manter ou registrar pequeno crescimento de área, impulsionada pela demanda da pecuária e pelos sistemas de integração lavoura-pecuária.
Por outro lado, a cevada deve enfrentar forte retração. A expectativa é de redução superior a 30% da área cultivada na safra 2026. O principal motivo é o aumento do risco climático associado ao possível El Niño, mesmo com a manutenção dos contratos oferecidos pela indústria cervejeira.
As áreas já implantadas apresentam desenvolvimento satisfatório, mas a tendência é de menor participação da cultura no cenário agrícola gaúcho neste ciclo.
Comentários
