As exportações brasileiras de arroz no primeiro semestre de 2026 contribuíram para reduzir a pressão de oferta no mercado interno e criaram condições para uma recuperação gradual dos preços pagos aos produtores. A avaliação é do presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes.
Segundo o dirigente, o volume embarcado entre janeiro e junho cresceu mais de 80% em relação ao mesmo período de 2025, registrando um dos melhores desempenhos da história do setor. O forte ritmo das exportações garantiu liquidez aos produtores, que puderam direcionar parte de sua produção ao mercado externo, evitando uma oferta excessiva no mercado doméstico. Nunes destaca ainda que os mecanismos de apoio ao escoamento foram fundamentais para melhorar a remuneração média da saca de arroz.
Diferença de preços e receitas internacionais
Apesar do avanço expressivo no volume de vendas externas, a receita financeira obtida ficou abaixo da registrada no ano passado devido à queda geral dos preços internacionais da commodity. Enquanto os primeiros embarques de 2025 foram negociados com valores médios superiores a R$ 90 por saca, as negociações deste ano ficaram concentradas na faixa dos R$ 60, o que representa um recuo próximo de um terço no valor unitário recebido.
Consolidação de destinos e o mercado da Venezuela
Preços do arroz reagem com oferta restrita mas liquidez segue baixa
Exportação de arroz do Brasil salta 83% no primeiro semestre
Em relação aos parceiros comerciais, os principais destinos das exportações brasileiras permaneceram praticamente os mesmos. O grande destaque do período foi o crescimento da participação da Venezuela entre os compradores do arroz em casca produzido no Brasil. Existia um receio inicial no setor de que mudanças no cenário político venezuelano pudessem alterar o fluxo comercial, mas a hipótese não se confirmou. Pelo contrário, o mercado se consolidou e apresentou maior segurança jurídica para o andamento das negociações.
Superávit comercial e projeções para o segundo semestre
O comércio exterior vem desempenhando um papel importante ao absorver parte relevante do excedente de produção do país. No primeiro semestre, a balança comercial do arroz registrou um superávit de aproximadamente 400 mil toneladas. A expectativa da Federarroz é de que o Brasil atinja a marca de cerca de 2 milhões de toneladas exportadas ao longo de 2026, consolidando um dos maiores saldos comerciais dos últimos anos.
Para o segundo semestre, o dirigente projeta um cenário mais favorável para toda a cadeia produtiva nacional. O comportamento e a evolução dos preços locais dependerão diretamente do andamento da safra norte-americana e das condições de produção nos países asiáticos, cujas lavouras já começam a sofrer a influência direta do fenômeno climático El Niño.
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