El Niño exige ações preventivas na pecuária do Rio Grande do Sul

Pesquisadora alerta para prejuízos com solo encharcado, estresse térmico e parasitas, e recomenda estratégias de manejo e controle sanitário
El Niño exige ações preventivas na pecuária do Rio Grande do Sul
Excesso de chuva e solo saturado exigem rotação de pastagens e suplementação para evitar a degradação do solo.
Foto do autor Fernando Teixeira
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A pesquisadora e professora Soraya Tanure, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), alerta que chuvas em maior intensidade e mudanças abruptas de temperatura já não são apenas riscos sazonais, mas uma variável que precisa estar no radar dos pecuaristas. Os problemas vão além de enchentes ou da degradação de pastagens pelo encharcamento. O solo saturado dificulta a locomoção dos animais, e o manejo inadequado torna-se um fator extra de perda.

O pisoteio do gado em solo encharcado destrói a estrutura da terra, gerando compactação e erosão, o que compromete a produtividade das forrageiras a médio e longo prazo. Essas questões elevam o custo operacional e reduzem a rentabilidade na pecuária.



A atenção deve ir além da questão nutricional. O estresse térmico também impacta o ganho de peso e reduz a eficiência produtiva. Na pecuária leiteira o cenário é semelhante, pois as vacas em lactação são ainda mais sensíveis às mudanças de temperatura, e o El Niño traz, além de chuvas acima da média, temperaturas mais elevadas. Essa combinação favorece a proliferação de parasitas, fungos e bactérias, elevando a incidência de doenças.

Estratégias de manejo e mitigação

Enquanto acompanha os prognósticos atualizados sobre o fenômeno, o pecuarista pode adotar medidas para reduzir eventuais prejuízos. Essas ações devem constar no planejamento do produtor rural independentemente de fenômenos à vista. Considerando a crescente frequência de eventos climáticos extremos, torna-se estratégico investir em práticas de manejo adaptadas e em sistemas produtivos mais resilientes, capazes de garantir a sustentabilidade e a competitividade da pecuária gaúcha no longo prazo.

Um primeiro passo é atuar na gestão forrageira, com a diversificação das fontes de alimentação animal para reduzir a dependência exclusiva do pasto. Além disso, planejar com antecedência, utilizando ferramentas de gestão, é essencial para quem vive no campo. Essas ferramentas podem começar pelo conhecimento exato dos números da propriedade e pela avaliação de riscos e oportunidades.

Com o prognóstico de intensidade maior do fenômeno para a primavera, ainda há atividades que podem ser planejadas no momento atual. Um exemplo é garantir a reserva de silagem e feno, com compra antecipada que permita a suplementação a campo nos períodos de maior precipitação e consequente pisoteio. Sobre o solo e o impacto da movimentação dos animais, o manejo rotacionado evita o pisoteio excessivo e a degradação da área.

Rigor no controle sanitário

O monitoramento do produtor para o controle sanitário deve ficar ainda mais rigoroso com as previsões para a vigência de um El Niño intenso. Ambiente úmido e quente é ideal para a proliferação de mosca-do-chifre e carrapato, que precisam ser controlados para evitar anemia e a transmissão de doenças como a Tristeza Parasitária Bovina (TPB).

Também é necessário cuidado extremo com animais desnutridos devido ao risco de infecções secundárias, o que demanda manter em dia o calendário de vacinas contra rinotraqueíte infecciosa (IBR), leptospirose e diarreia viral bovina (BVD).

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