O setor orizícola brasileiro consolidou um ritmo intenso de retomada em suas vendas externas. No primeiro semestre de 2026 (janeiro a junho), o país exportou 1,1 milhão de toneladas de arroz (base casca), volume que representa um salto de 83% na comparação com o mesmo período de 2025. O faturamento acompanhou o crescimento e subiu 35%, atingindo US$ 266 milhões, com a Venezuela e o Senegal liderando as compras do produto nacional.
Os dados foram levantados pela Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), tendo como base as estatísticas oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Recuperação de estoques e valor agregado
De acordo com a gerente de Exportação da Abiarroz, Beatriz Sartori, o avanço expressivo se deve ao reabastecimento dos inventários reguladores. Em 2025, os estoques estavam severamente baixos em decorrência das enchentes históricas que castigaram o Rio Grande do Sul no ano anterior.
“Com a safra maior em 2025, o Brasil retomou o fluxo normal de embarques neste primeiro semestre. A recuperação das vendas aos Estados Unidos, especialmente o arroz polido, de maior valor agregado, também contribuiu para o crescimento”, explica Beatriz.
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A tendência positiva se manteve firme no recorte do segundo trimestre (abril a junho). Os embarques somaram 433,6 mil toneladas, superando as 326,7 mil toneladas do mesmo intervalo de 2025 — uma alta de 32,7%. A receita trimestral avançou 15,5%, fechando em US$ 108,6 milhões.
O arroz beneficiado pela indústria, que responde por mais da metade do volume total exportado e gera maior rentabilidade, registrou alta de 65,5% nos primeiros seis meses do ano, totalizando 643,9 mil toneladas. O faturamento dessa categoria somou US$ 146,1 milhões, um incremento de 18,6%.
Crise geopolítica encarece fretes internacionais
Apesar do desempenho positivo, o setor produtivo enfrenta gargalos logísticos severos provocados por tensões geopolíticas no exterior. A escalada dos conflitos no Oriente Médio resultou em uma forte elevação nos custos dos fretes marítimos internacionais, além da aplicação de taxas adicionais pelas armadoras. O cenário reduz a competitividade do grão brasileiro, que opera historicamente com margens estreitas de lucro.
A Abiarroz avalia que, caso as rotas de navegação no Estreito de Ormuz não sejam restabelecidas de forma consistente, as dificuldades logísticas vão se intensificar, prejudicando principalmente os embarques destinados a mercados fora do continente americano.
Balanço de importações e busca por novos mercados
No mercado de importações, o Brasil comprou 796,4 mil toneladas de arroz (base casca) no primeiro semestre, gerando um desembolso de US$ 182,2 milhões. O balanço aponta um aumento de 13% no volume internalizado, mas com uma redução de 15% no valor total pago em relação ao ano passado.
Visando a sustentabilidade das exportações a longo prazo, a Abiarroz intensificou ações institucionais por meio do projeto Brazilian Rice:
Américas: Em maio, a entidade participou da Rice Market and Technology Convention, promovendo a qualidade do produto nacional para os principais compradores das Américas.
Venezuela: Em junho, integrou uma missão comercial à Venezuela em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e a ApexBrasil, realizando rodadas de negócios e reuniões estratégicas com o governo local para mapear novas oportunidades de mercado.
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