O sistema de precificação e análise de mercado do arroz em casca ganhou uma nova ferramenta metodológica para acompanhar a evolução da qualidade do cereal no campo. De acordo com o anúncio oficial do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a instituição passou a divulgar os preços médios do arroz com rendimentos de 59% a 62% de grãos inteiros. A medida moderniza o acompanhamento histórico iniciado em julho de 2005 — realizado em parceria com o Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA) —, cujo indicador tradicional mantinha como base estrita o produto com padrão de 58% de grãos inteiros e 10% de quebrados.
A mudança estrutural ocorre porque o perfil do arroz colhido e comercializado no Rio Grande do Sul transformou-se substancialmente nas últimas décadas. O contínuo investimento em melhoramento genético de sementes e o aprimoramento tecnológico das lavouras elevaram o rendimento físico dos engenhos. Grãos com classificações inferiores (entre 50% e 57%) acabam sendo canalizados para a indústria de parboilizados, seguindo normativas técnicas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Por outro lado, lotes com rendimento superior de inteiros ganharam escala e já representam o padrão mais negociado em diversas praças gaúchas.
Dinâmica de preços e ágio no mercado físico
A nova segmentação do Cepea permite ao setor mensurar com precisão o ganho financeiro obtido pela qualidade do lote. A análise estatística realizada pelo Cepea revela que, na média histórica apurada entre janeiro de 2015 e junho de 2025, o arroz de maior qualidade (59% a 62% de inteiros) obteve um valor 1,12% superior ao Indicador base de 58%. Essa relação é volátil e flutua conforme a oferta de lotes nobres: em junho de 2016, o ágio chegou a atingir 2,73% de valorização, enquanto em outubro de 2025 registrou-se um recuo pontual de 0,42% abaixo do indicador tradicional.
O balanço recente consolida essa tendência de valorização da qualidade nas mesas de negociação. No primeiro semestre de 2025, a média do grupo de 59% a 62% de grãos inteiros sustentou um patamar 1,16% maior do que a referência padrão. Já no primeiro semestre de 2026, as transações físicas mantiveram a bonificação, fechando o período em média 0,83% acima do Indicador tradicional. Com a divulgação sistemática dessa nova faixa, produtores e indústrias passam a contar com referências de balcão mais transparentes e sintonizadas com a realidade do mercado atual.
