A semeadura de trigo no Brasil atingiu 94,7% da área prevista, mas o avanço das plantações de inverno agora divide as atenções com o clima. Enquanto as máquinas aceleram para finalizar os trabalhos no campo, produtores da Região Sul ligam o sinal de alerta. O avanço de uma frente fria e o transporte de ar quente e úmido da Argentina prometem despejar acumulados severos de chuva, elevando a pressão de doenças e travando o manejo das lavouras.
No Rio Grande do Sul, os trabalhos de campo alcançaram 87% da área estimada. A maior parte das lavouras gaúchas está nas fases de desenvolvimento vegetativo inicial e perfilhamento. No Paraná, no entanto, o cenário é mais complexo: as chuvas intensas registradas no início de julho nas regiões oeste e sudoeste elevaram a pressão fitossanitária, provocando o surgimento de manchas foliares e doenças fúngicas. O único estado que respira aliviado por enquanto é Santa Catarina, onde o tempo seco recente acelerou a germinação e a emergência do cereal.
Da geada benéfica ao calor de 27 °C
Até o momento, as lavouras vinham se desenvolvendo sob condições favoráveis, impulsionadas pela distribuição regular de umidade e por temperaturas amenas. Em Cruz Alta (RS), polo produtor na região noroeste do estado, as mínimas despencaram para 0,2 °C no início de julho. Segundo a Emater/RS-Ascar, o frio intenso e a ocorrência de geadas fracas ajudaram no perfilhamento das plantas, sem registrar danos expressivos.
O cenário meteorológico, contudo, muda rapidamente. A previsão indica uma elevação gradual nas temperaturas nos próximos dias, com termômetros superando os 27 °C. Essa combinação de calor repentino e tempo firme de curto prazo vai acelerar a demanda hídrica do trigo, que entra em fase de crescimento acelerado e fica mais sensível a qualquer falta de água.
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O perigo dos 150 mm de chuva
A verdadeira ameaça ao potencial produtivo está desenhada para os próximos 15 dias. Um sistema de baixa pressão na Argentina, associado ao Jato de Baixos Níveis (JBN), vai trazer tempestades severas de volta ao Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já emitiu aviso de tempestade de nível laranja para o Rio Grande do Sul e o extremo sul de Santa Catarina, onde os acumulados de chuva podem ultrapassar 150 mm.
Para o produtor, o impacto prático dessa tempestade é imediato e custoso:
Manejo travado: O solo encharcado impedirá o trânsito de máquinas, paralisando a adubação de cobertura e a aplicação de defensivos.
Explosão de fungos: O longo período de molhamento foliar associado ao calor cria o ambiente perfeito para o avanço de fungos.
Prejuízo na pecuária: O excesso de umidade prejudica a qualidade das pastagens de inverno e eleva os problemas sanitários nos rebanhos.
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