Paraná realiza primeiro embarque de caqui do Brasil para Costa Rica

Operação pioneira enviou uma tonelada da variedade Fuyu produzida nos Campos Gerais e abre caminho para novos contratos na América Central.
Paraná realiza primeiro embarque de caqui do Brasil para Costa Rica
Variedade Fuyu, cultivada sob alto padrão fitossanitário em Porto Amazonas (PR), foi a escolhida para estrear no comércio com a Costa Rica Foto: Divulgação
Foto do autor Jair Reinaldo
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A fruticultura do Paraná alcançou um marco histórico no comércio internacional. O primeiro embarque comercial de caqui brasileiro com destino à Costa Rica foi realizado a partir de uma propriedade localizada no município de Porto Amazonas, na região dos Campos Gerais. A operação consolida a entrada oficial da fruta nacional no mercado costarriquenho e sinaliza novas perspectivas de faturamento para os produtores do estado.

O carregamento inicial, composto por uma tonelada de caqui da variedade Fuyu, teve origem na Agropecuária Boutin, empresa tradicional e referência no setor frutícola da região Sul do país. A engenharia logística e de exportação foi coordenada pela MBR Company, empresa brasileira especializada no comércio externo de frutas frescas. O pioneirismo da venda evidencia o padrão tecnológico, o controle fitossanitário e a capacidade de gestão das propriedades rurais paranaenses para atender a protocolos internacionais exigentes em tempo recorde.



Crescimento econômico e proteção contra oscilações internas

O avanço do caqui no mercado externo reflete a consolidação da cadeia produtiva local. O Paraná ocupa atualmente a quinta posição no ranking de produção nacional da cultura. Dados oficiais apontam que o estado cultiva uma área de 477 hectares da fruta, gerando um volume de 6,5 mil toneladas e movimentando R$ 25,6 milhões em Valor Bruto da Produção (VBP).

As exportações de caqui do estado vêm registrando forte aceleração. No fechamento do ciclo anterior, o Paraná faturou US$ 369 mil com as vendas externas da fruta, o que representou um salto de 248% na comparação com os US$ 106 mil registrados no período precedente.

Especialistas do setor destacam que o acesso a compradores estrangeiros é estratégico para mitigar riscos, pois reduz a dependência exclusiva do mercado interno, principalmente nos momentos de pico da safra, quando o excesso de oferta local tende a pressionar os preços pagos ao produtor.

Gargalos logísticos e foco na qualidade

De acordo com a MBR Company, esta primeira transação funcionou como um embarque-teste. O retorno por parte do comprador na Costa Rica foi considerado altamente positivo, criando as bases para a estruturação de novos contratos comerciais de maior volume para as próximas temporadas. A empresa projeta um cenário otimista, impulsionado por uma safra de qualidade excepcional que já atende clientes em dez países de cinco continentes distintos.

Apesar do cenário favorável, analistas alertam que a expansão sustentável do caqui no mercado internacional depende da superação de desafios estruturais. O setor precisa investir continuamente na rastreabilidade total da produção, no cumprimento de normas fitossanitárias rigorosas e na manutenção rígida da cadeia de refrigeração (cold chain) desde a colheita até o destino final, minimizando as perdas e garantindo o padrão da fruta no desembarque.

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