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Economia

Novo corte no Seguro Rural deixa mais da metade da safra sem verba

Com nova retirada de R$ 56,2 milhões pelo Governo Federal, recursos para subvenção caem para menos da metade do orçamento previsto para este ano
Novo corte no Seguro Rural deixa mais da metade da safra sem verba
Redução nos recursos de subvenção federal força produtores a assumirem sozinhos os riscos climáticos. Foto: Divulgação
Foto do autor Cássia Lombardi
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O Governo Federal oficializou nesta semana mais um corte no orçamento do Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural (PSR) para 2026. A medida retira R$ 56,2 milhões do fundo de proteção às lavouras para realocá-los em outras áreas e ações administrativas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O novo desfalque agrava a crise de segurança orçamentária no campo, desestimulando uma ferramenta que já registrava queda nas contratações pelos agricultores.

A redução orçamentária é recebida com forte apreensão pelo setor produtivo, que já lidava com a ameaça de um bloqueio anterior de R$ 461,7 milhões — montante que, se consolidado, comprometerá 45,7% de todo o valor estipulado pela Lei Orçamentária Anual (LOA). Somados os cortes e os contingenciamentos, o saldo restante para o PSR representa bem menos da metade do R$ 1,01 bilhão orçado originalmente para o ano.



O impacto direto no bolso de quem produz

Especialistas e lideranças do agronegócio alertam que o seguro rural não pode ser tratado como gasto público corrente, mas como um investimento crucial para a estabilidade econômica do país. Cada real aplicado na subvenção atua diretamente na contenção de perdas decorrentes de frustrações de safra por eventos climáticos extremos. A falta de amparo financeiro eleva o endividamento do produtor, desestabiliza a oferta de alimentos e acaba gerando custos ainda maiores para o Estado no futuro, com a necessidade de programas emergenciais de renegociação de dívidas.

A situação é classificada pelo setor como um golpe severo na previsibilidade do negócio agrícola. Com o montante atual, o programa torna-se comprovadamente insuficiente para garantir uma cobertura abrangente e uma gestão de riscos adequada diante do cenário climático adverso que desafia as projeções produtivas.

Paraná lidera perdas com o desestímulo federal

O impacto dessa tesourada atinge em cheio as lavouras do Sul do país. O Paraná é, historicamente, o estado que mais contrata seguro rural no Brasil. No entanto, o volume de apólices vem despencando nos últimos ciclos justamente pelo descompasso e pela falta de confiabilidade nos repasses da subvenção federal.

Sem o suporte do governo para custear parte do prêmio do seguro, o custo da apólice privada torna-se proibitivo para grande parte dos agricultores. Na prática, a conta do campo não fecha, obrigando o produtor a iniciar o plantio desprotegido e a assumir de forma isolada os prejuízos de eventuais secas ou geadas.

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