Jabuticabeiras do Palácio das Esmeraldas unem história e paisagismo

Pomar histórico torna-se ativo de preservação cultural e atrai visitantes à residência oficial do governador
Jabuticabeiras do Palácio das Esmeraldas unem história e paisagismo
Jardins do Palácio das Esmeraldas fundem o paisagismo inspirado em Versalhes com a fruticultura nativa do país Foto: Divulgação
Foto do autor Wandell Seixas
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O planejamento urbano de Goiânia traz, desde a sua fundação, uma forte integração com áreas verdes, antecipando conceitos de sustentabilidade e arborização urbana fundamentais para a qualidade de vida contemporânea. No coração da capital goiana, a Praça Cívica abriga o Palácio das Esmeraldas — sede do Poder Executivo estadual e residência oficial do governador —, cujo complexo paisagístico destaca-se pelo cultivo histórico de jabuticabeiras em seus jardins.

O palácio, caracterizado pelo verde de suas paredes externas, possui linhas arquitetônicas com forte predominância do estilo art déco, vertente que moldou os primeiros edifícios públicos da cidade. Os jardins do palácio foram inspirados no modelo clássico do Palácio de Versalhes, integrando postes de iluminação e fontes ornamentais à vegetação monumental da propriedade.



Origem do pomar e valorização da memória goiana

O conjunto de 17 jabuticabeiras (Plinia cauliflora), árvore frutífera nativa do país pertencente à família das mirtáceas, foi implantado nos jardins palacianos na década de 1940. A iniciativa partiu de dona Gercina Borges, esposa do então interventor federal Pedro Ludovico Teixeira, responsável pela fundação de Goiânia.

Ao longo dos anos, o espaço consolidou-se como um pomar histórico e um ativo de alto valor turístico e cultural para o estado. Por se tratar da residência oficial do chefe do Executivo, o acesso público ao interior dos jardins e às dependências do palácio é autorizado mediante agendamento prévio, funcionando como um importante roteiro de resgate da memória política e urbanística de Goiás.

Conexão econômica com o polo de Hidrolândia

Para além do valor paisagístico e simbólico na capital, a cultura da jabuticaba desempenha um papel econômico estratégico na Região Metropolitana de Goiânia. O cultivo da fruta projeta o município vizinho de Hidrolândia, situado a 35 quilômetros da capital com acesso viário pela BR-060, como o detentor do maior pomar dessa espécie no mundo.

A região abriga propriedades rurais de grande porte, algumas concentrando mais de 40 mil pés de jabuticaba em produção ativa. O ecossistema econômico local baseia-se no turismo rural, na comercialização da fruta in natura e no processamento agroindustrial de alto valor agregado, que inclui a fabricação de vinhos e derivados exportados para o mercado internacional. No entanto, o núcleo histórico plantado nos jardins do Palácio das Esmeraldas permanece como a principal referência cultural da presença da fruta na identidade urbana do estado.

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