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Moagem de mandioca atinge recorde histórico puxada pela indústria

Pesquisa do Cepea e Abam mostra que o faturamento do setor somou R$ 2,14 bilhões, compensando a menor taxa de extração de amido nas fecularias
Moagem de mandioca atinge recorde histórico puxada pela indústria
O processamento da mandioca ganha valor agregado com o avanço dos amidos modificados.
Foto do autor Cássia Lombardi
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As fecularias e indústrias de amidos modificados do Brasil fecharam o último ciclo anual com indicadores robustos de crescimento estrutural. O setor registrou avanços consistentes na capacidade instalada de processamento, no volume total de moagem de matéria-prima e na geração de empregos diretos. O Valor Bruto da Produção (VBP) da fécula de mandioca foi impulsionado pela alta nas cotações médias, atingindo a marca de R$ 2,14 bilhões — um crescimento de 2,6% frente ao período anterior.

Os dados são do levantamento nacional do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, realizado em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Amidos de Mandioca (Abam). O mapeamento identificou 88 unidades industriais ativas distribuídas por 65 municípios de estados como Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Alagoas, Bahia e Pernambuco.



Paraná lidera capacidade e esmagamento recorde

Pelo quinto ano consecutivo, a capacidade instalada de processamento das indústrias cresceu no país, atingindo 25,6 mil toneladas por dia, impulsionada por ampliações de plantas já existentes. O Paraná consolidou sua liderança absoluta no setor, respondendo por 65,6% de toda a capacidade nacional, seguido por Mato Grosso do Sul (19,8%) e São Paulo (7,9%). Embaladas por essa estrutura, as fecularias alcançaram o recorde histórico de esmagamento de mandioca, totalizando 3,13 milhões de toneladas de raízes, uma alta anual de 5,5%.

Apesar da moagem recorde de matéria-prima, a produção final de fécula teve um recuo marginal de 0,5%, somando 686,03 mil toneladas. De acordo com os pesquisadores do Cepea, esse contraste ocorreu devido a uma menor taxa média de extração de amido pelas indústrias ao longo do ano. Mais uma vez, o processamento paranaense ditou o ritmo do mercado, concentrando 67,6% de todo o volume de fécula produzido no Brasil, enquanto o Mato Grosso do Sul garantiu a segunda posição com 22,8%.

Em contrapartida, as indústrias paulistas sofreram uma forte retração de 40,9% em seu volume. No campo dos preços, a fécula registrou valorização nominal média de 3,1%, cotada a R$ 3.122,47 por tonelada (FOB indústria).

Diversificação e Projeções para o Mercado em 2026

O levantamentorevela que a diversificação de portfólio ganhou força, com 45,1% das empresas produzindo derivados de maior valor agregado, como polvilhos, misturas para panificação e gomas de tapioca. O grande destaque foi o salto de 31,2% na fabricação de amidos modificados, que atingiu 155,6 mil toneladas. O principal canal de escoamento do setor foi o segmento de massas, biscoitos e panificação (26,7%), seguido por distribuidores atacadistas (10,8%). A atividade também demonstrou vocação internacional: 20,7% das indústrias realizaram exportações diretas, com destaque para as plantas do Paraná (29,8%) e do Mato Grosso do Sul (22,2%).

Para o decorrer de 2026, o otimismo impera no setor agroindustrial. O relatório aponta que o agregado das empresas projeta um crescimento de 15,5% na produção total acumulada. No entanto, o ritmo real do primeiro semestre exige cautela: estimativas calculadas até o mês de maio indicam que a produção de fécula somou 360 mil toneladas — um avanço de 4,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, operando, portanto, ligeiramente abaixo das expectativas iniciais da indústria para a safra, cuja concentração de colheita ocorre justamente nestes primeiros seis meses do ano.

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