O planejamento estratégico das indústrias de moagem de trigo já está sob profundo impacto das projeções para o próximo ciclo comercial. De acordo com análises técnicas de mercado da TF Agroeconômica baseadas no posicionamento de moinhos independentes, o cenário para 2027 será desenhado por uma forte assimetria no consumo de derivados: haverá uma disparada na demanda por farinhas Especiais (ESP) e para Massas Frescas (MF), enquanto as demais categorias, como as farinhas inteiras, perderão espaço de forma acentuada no mercado nacional.
Esse redesenho comercial decorre das expectativas negativas em torno da safra nacional (26/27). O setor projeta um ciclo marcado por volumes pequenos e por uma provável deterioração na qualidade geral do grão, uma combinação gerada pela redução nos investimentos em insumos tecnológicos e pelas instabilidades climáticas. Se essas variáveis se confirmarem e o mercado dispuser apenas de trigos de média qualidade, as farinhas tipo inteira terão sua aplicabilidade severamente reduzida. Como as indústrias de massas e panificação necessitam manter o padrão de seus produtos finais, as farinhas Premium de alta força de glúten e estabilidade serão disputadas de forma intensa.
Estratégia de retenção e lateralização de preços
O quadro atual apresenta uma dinâmica inversa, onde a qualidade do trigo nacional remanescente ainda é considerada satisfatória, permitindo que farinhas com níveis de cinza mais altos tenham bom desempenho operacional. Diante do risco de escassez de trigo superior na transição de safra, moinhos do Paraná adotaram em julho a estratégia de reajustar suas tabelas de preços para cima, visando conter temporariamente a demanda e economizar lotes de grãos bons.
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No mercado spot geral, os preços do grão andam bastante estáveis e lateralizados, sendo que os valores vigentes no Rio Grande do Sul chegam a inviabilizar aquisições por parte de moinhos paranaenses, restringindo os negócios a lotes muito específicos ou segregados. No segmento de varejo e distribuição, corretores apontam que o mercado tenta reajustes, mas enfrenta dificuldades de consolidação devido à concorrência acirrada e à pressão de redes de supermercados, que sustentam promoções agressivas de massas e biscoitos na ponta final.
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