O mercado físico de hortifrutis opera sob o impacto direto da transição de safras e do volume irregular de oferta nas principais centrais de abastecimento brasileiras. No balanço do último período, as cotações do tomate longa vida 3A registraram um movimento de valorização nos mercados grossistas dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. De acordo com a análise técnica realizada pelos pesquisadores da equipe de Hortifrúti do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), o principal vetor para esse avanço nos preços é a proximidade do encerramento da primeira etapa da safra de inverno nas regiões polo de Sumaré (SP) e Paty do Alferes (RJ).
O esvaziamento das colheitas nessas praças fluminenses e paulistas resultou em uma oferta composta majoritariamente por frutos chamados "ponteiros", caracterizados por apresentarem qualidade comercial inferior e calibres significativamente menores. O cenário de menor disponibilidade de tomates de padrão superior deu sustentação aos reajustes positivos para os lotes comerciais.
Em contrapartida, as praças de Belo Horizonte (MG) e Campinas (SP) registraram o movimento inverso, com os preços do tomate em trajetória de declínio. Os pesquisadores do Cepea apontam que a desvalorização nessas localidades está associada ao forte incremento no volume de produtos disponibilizados pelas regiões mineiras de Carmópolis de Minas e Pará de Minas. Esse aumento na pressão de oferta foi intensificado pela entrada de carregamentos significativos de tomate rasteiro provenientes da região de Cristalina (GO), gerando excedente nas gôndolas e forçando a retração nos preços finais pagos aos produtores.
