Preço da soja sobe em Chicago com compras da China e calor nos EUA

Retorno agressivo das tradings estatais chinesas ao mercado norte-americano e o avanço de uma onda de calor no Meio-Oeste dos Estados Unidos dão sustentação aos ganhos globais da oleaginosa.
Preço da soja sobe em Chicago com compras da China e calor nos EUA
Preço da soja dispara em Chicago com compras da China e onda de calor nos EUA.
Foto do autor Camilo Motter
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O mercado internacional da soja iniciou a semana operando com forte tração positiva e ganhos expressivos nas plataformas de negociação da Bolsa de Chicago (CBOT). De acordo com o boletim operacional da Granoeste Corretora, o primeiro pregão da semana foi marcado por ralis que injetaram valorizações de pelo menos 4% nos contratos de vencimentos mais próximos. O movimento altista mantém o fôlego nesta terça-feira (7), com a posição agosto trabalhando em valorização e cotada na casa dos US$ 11,86 por bushel.

O principal gatilho para essa reação técnica foi o retorno das tradings asiáticas às compras. Agências internacionais de notícias confirmaram que empresas da China adquiriram pelo menos cinco navios cargueiros de soja de origem norte-americana, totalizando um volume estimado em 300 mil toneladas. A equipe de análise da Granoeste Corretora salienta que essa movimentação comercial já era aguardada pelo setor, disparada estrategicamente após os preços em Chicago terem recuado para a linha psicológica de suporte de US$ 11,00 por bushel, abrindo uma janela de oportunidade para a recomposição de estoques chineses.



Clima no Meio-Oeste vira o centro das atenções após o 4 de Julho

Do lado da oferta global, o mercado atingiu o tradicional marco de virada psicológica estabelecido pelo feriado de 4 de julho (Independência dos Estados Unidos). Historicamente, a partir desta data, os fundos de investimentos ajustam suas posições de longo prazo e as oscilações meteorológicas passam a ditar o comportamento definitivo dos preços. Uma onda de calor avança sobre o Meio-Oeste norte-americano e, embora o regime de precipitações venha mantendo certa regularidade regional, analistas não descartam a ocorrência de bolsões de seca severa. O monitoramento será minucioso, já que as plantações entram nos meses de julho e agosto, período considerado o mais crítico para a definição do rendimento biológico dos grãos.

O último levantamento de condições das lavouras divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) já refletiu uma leve deterioração no potencial produtivo: 64% das áreas estão avaliadas como boas a excelentes (queda de um ponto percentual na comparação semanal), 28% em situação regular e 8% classificadas como ruins ou péssimas — no mesmo período da temporada anterior, o índice bom/excelente era superior, marcando 66%. Em termos de desenvolvimento fenológico, 34% das plantas entraram em fase de floração (ante 30% no ano passado e 28% de média histórica), enquanto 9% iniciaram a formação de vagens.

O cenário no Brasil: Entressafra à vista e prêmios firmes nos portos

No mercado brasileiro, o ritmo de escoamento e comercialização interna ganhou dinamismo, estimulado pela melhora nos preços de balcão e pelo maior interesse de venda por parte dos produtores. O setor produtivo nacional, contudo, calibra as ofertas de olho na transição para o período de entressafra no segundo semestre, na evolução decisiva da safra americana e nos modelos de longo prazo que sugerem um possível atraso no retorno das chuvas de primavera sobre o Cerrado e o Sul do Brasil para o plantio do ciclo 2026/27.

No fechamento logístico e comercial, os indicadores de mercado consolidam as seguintes referências:

Desempenho Exportador: Dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que as exportações brasileiras de soja atingiram robustas 14,5 milhões de toneladas em junho, superando as 13,42 milhões registradas em junho do ano passado. No acumulado anual, os despachos portuários somam 67,7 milhões de toneladas, contra 63,9 milhões de toneladas em igual período anterior.

Prêmios de Exportação: As indicações para o mercado físico nos portos mantêm firmeza, com o spot operando na faixa de 85 a 100 pontos acima de Chicago; a posição agosto fixada entre 90 e 100 pontos; e o mês de setembro valorizado entre 100 e 115 pontos sobre a tela da CBOT.

Preços de Balcão: No mercado spot regional, as indicações nominais de compra na região oeste do Paraná oscilam firmes entre R$ 130,00 e R$ 134,00 por saca. Já no Porto de Paranaguá, as cotações flutuam na faixa de R$ 142,00 a R$ 146,00 por saca, com variações estritas a depender dos prazos de liquidação financeira e das condições de frete e embarque acordadas no interior.

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