As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro apresentaram um comportamento de acomodação no início do ano. De acordo com o relatório oficial da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), o setor encerrou o mês de abril com 2,54 milhões de toneladas movimentadas. O volume representa uma retração de 6% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, quando haviam sido entregues 2,70 milhões de toneladas.
Apesar do recuo mensal, o balanço acumulado do primeiro quadrimestre do ano permanece positivo. Foram registradas 12,30 milhões de toneladas entregues aos produtores, o que significa um crescimento de 1,6% diante das 12,11 milhões de toneladas computadas em igual período do ciclo passado.
Os resultados refletem a forte tração de compras registrada entre janeiro e março para o abastecimento da safrinha de milho. Por outro lado, a desaceleração observada em abril já começa a demonstrar o ritmo de tomada de decisão dos agricultores para a próxima safra de verão, influenciados por um cenário geopolítico complexo e taxas de juros menos favoráveis para o crédito rural.
Mato Grosso lidera o consumo e estados do Sul e Sudeste avançam
O estado de Mato Grosso mantém a liderança isolada nas entregas ao mercado nacional, concentrando o maior volume do quadrimestre, com 3,06 milhões de toneladas. O montante equivale a 24,9% de todo o fertilizante distribuído no país.
Conflitos globais encarecem preço de fertilizantes no país
Fertilizantes enfrentam cenário de incertezas globais
Na sequência do ranking de consumo regional aparecem as seguintes praças agrícolas:
São Paulo, com 1,39 milhão de toneladas;
Paraná, com 1,33 milhão de toneladas;
Goiás, com 1,31 milhão de toneladas;
Minas Gerais, com 1,05 milhão de toneladas.
Produção nacional de adubos recua devido aos custos de insumos
A indústria nacional de fertilizantes intermediários encerrou o mês de abril com uma produção de 510 mil toneladas, registrando uma queda de 9,2% na comparação anual. No acumulado dos primeiros quatro meses do ano, o volume fabricado somou 1,92 milhão de toneladas, uma retração de 14,4% sobre as 2,24 milhões de toneladas do ano anterior.
Essa redução na atividade fabril interna é justificada principalmente pela pressão de custos nas matérias-primas. O Brasil possui uma forte base de produção de fosfatados, segmento que depende diretamente do enxofre. Como esse insumo vem registrando altas contínuas no mercado internacional, as margens industriais foram pressionadas.
A Anda esclarece ainda que, devido a reestruturações societárias e processos de retomada de plantas industriais, parte da capacidade produtiva nacional não foi totalmente capturada nas estatísticas deste primeiro quadrimestre.
Importações seguem firmes e Paranaguá lidera desembarques
Para suprir a demanda interna, o fluxo de importações de fertilizantes intermediários continuou ativo. Em abril, a entrada de produtos estrangeiros atingiu 3,05 milhões de toneladas, um incremento de 10,4%. No acumulado do quadrimestre, as compras externas somaram 11,21 milhões de toneladas, exibindo uma estabilidade quase total em relação ao ano passado, com oscilação negativa de apenas 0,4%.
O avanço nas importações mensais serviu para garantir o atendimento de uma safrinha de milho mais expressiva no campo. Em termos logísticos, o Porto de Paranaguá consolidou sua posição como a principal porta de entrada para esses insumos.
De janeiro a abril, o terminal paranaense descarregou 2,84 milhões de toneladas de adubos. Apesar de registrar uma redução de 6,5% na comparação anual, o porto foi responsável por 25,4% de todo o volume de fertilizantes importado pelo Brasil.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
