Setor de café solúvel tenta barrar taxa de 25% nos EUA

Abics, Cecafé e National Coffee Association alertam governo americano sobre riscos de inflação e desabastecimento na cadeia global de alimentos
Setor de café solúvel tenta barrar taxa de 25% nos EUA
Brasil responde por mais de um quinto das importações americanas de café solúvel, fornecendo insumos essenciais para a indústria de bebidas prontas.
Foto do autor Jair Reinaldo
Publicado em:

A indústria brasileira de café solúvel articulou uma defesa estratégica na capital americana para tentar barrar a proposta dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa de 25% sobre o produto nacional. A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), com o apoio de consultorias internacionais, participou das audiências públicas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Durante as sessões em Washington, a entidade demonstrou que o insumo brasileiro é fundamental para diversos setores da economia dos EUA. O café solúvel importado atende desde a produção de bebidas prontas para o consumo (conhecidas como ready to drink) até as indústrias de panificação, confeitaria, laticínios e redes de alimentação institucional.



O mercado norte-americano de bebidas prontas projeta um crescimento anual de 5,6% até 2030, o que eleva a necessidade de um abastecimento estável e economicamente competitivo. Grandes companhias americanas de alimentos, que representam mais de 20% das vendas de café no varejo doméstico, dependem diretamente do fluxo de fornecimento brasileiro para manter suas operações e estratégias de preços.

Impacto logístico e inflação ao consumidor final nos EUA

O Brasil desempenha um papel indispensável na cadeia de suprimentos dos Estados Unidos. O país responde por 22% de todas as importações norte-americanas de café solúvel, movimentando um volume anual de 15.500 toneladas métricas, concentradas principalmente na forma de extratos a granel, concentrados e grânulos.

De acordo com o diretor de Relações Institucionais da Abics, Fabio Sato, a dependência técnica e logística do mercado americano dificulta uma substituição rápida do fornecedor.

“O mercado de importação de café solúvel dos EUA é altamente concentrado. México e Brasil respondem por quase 60% do total das importações, sendo que os preços mexicanos são cerca de 1,5 vez mais altos que os brasileiros. Com a capacidade excedente limitada em outros países produtores, o mercado enfrentaria desabastecimento”, explica Sato.

Além disso, o impacto financeiro direto atingiria os consumidores americanos mais vulneráveis. Estimativas apontam que 11% da população local consome café solúvel diariamente devido ao baixo custo por xícara. A imposição de uma tarifa adicional baseada na Seção 301 da legislação americana provocaria um repasse imediato de custos, gerando pressão inflacionária nos alimentos.

Defesa unificada e ausência de contestações em Washington

A maior parte do valor econômico gerado por esse comércio fica dentro dos próprios Estados Unidos. O café solúvel brasileiro entra no país a granel e passa pelos processos de mistura, empacotamento, marketing e distribuição em solo americano. Uma taxação punitiva prejudicaria a competitividade das indústrias processadoras norte-americanas.

A estratégia de defesa na audiência contou com o apoio unificado de outras duas grandes forças do setor: o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e a par americana National Coffee Association (NCA).

Segundo José Pimenta, especialista em comércio internacional e relações governamentais, o posicionamento conjunto trouxe um sinalizador importante de mercado. As três manifestações alinharam os mesmos argumentos econômicos e nenhuma das entidades foi contestada pelos investigadores do governo americano durante os pronunciamentos.

Os representantes do setor aguardam agora a decisão do USTR sobre a lista final de exceções tarifárias, com a expectativa de que o café solúvel brasileiro consiga a isenção tributária para proteger a estabilidade financeira das indústrias e dos consumidores na América do Norte.

Comentários

Siga o portal RuralNews nas redes sociais

Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.

REPORTAGEM
O texto traz conteúdo informativo sobre acontecimentos e fatos do agronegócio oriundos de fontes reconhecidas e confiáveis, como entidades, assessorias de imprensa, analistas de mercado e jornalistas. Nossa equipe analisa as informações obtidas para produzir as reportagem e também utiliza de recursos de IA (Inteligência Artificial) para seguir normas de SEO, mas revisamos e corrigimos possíveis falhas no uso da ferramenta. Os artigos assinados não representam necessariamente a opinião editorial do RuralNews.
Encontrou erros no texto? Envie-nos um email informando: editoria@ruralnews.agr.br
Buscar no site
Leia também
Fala, agro!
Logomarca RuralNews
© 2026 Portal RuralNews - CNPJ 01.111.959/0001-67 - Todos os direitos reservados.

#agrootempotodo

O portal RuralNews é uma iniciativa que leva diariamente informações, novas tecnologias e as novidades do agronegócio do Brasil para o produtor rural e toda a cadeia produtiva do segmento.
Diariamente produzimos reportagens sobre tudo o que acontece no setor, trazemos cotações diárias atualizadas, vídeo reportagens, artigos de opinião e muito mais!
Através de nossas editorias regionais nos estados de RS, PR, GO, SP, MG, MT, MS, e NO , trazemos conteúdos locais das principais regiões produtivas do Brasil. Fique bem informado visiando nosso portal diariamente!

Contato:

REDAÇÃO:
(45) 3037-7829 - (45) 98803-5294 - editoria@ruralnews.agr.br
DEPARTAMENTO COMERCIAL:

99972-6113 - comercial@ruralnews.agr.br

SUCURSAL EM GOIÁS:

(62) 99973-3139 - goias@ruralnews.agr.br

SUCURSAL NO RIO GRANDE DO SUL:

(54) 98132-5338 - riograndedosul@ruralnews.agr.br

SUCURSAL EM SÃO PAULO:

(16) 99271-0211 - saopaulo@ruralnews.agr.br

Assine nossa newsletter

Receba resumos de notícias diários

Siga-nos nas mídias sociais:




Quem somos
Nossa equipe
Contato
Política de Privacidade